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domingo, 1 de março de 2009

Pavor de Janela


Ela é linda. É meu amor.
Já lhe ofereci tudo,
Mas ela, educada, apenas agradece.
Às vezes eu a vejo em pé, próxima à janela,
Com a cabeça encostada no vidro
E com olhar absorto, misterioso
Finjo não perceber sua saudade, suas vontades vãs
Quase morro
Com aquele resto de sorriso em sua face.
Ela gosta de janelas
Janela da sala, da cozinha, do carro, de trem....
Sempre ela, os pensamentos, o resto de sorriso e o olhar de janela...
E quando ela nota que eu a observo
Logo fica séria
E pergunta se eu quero alguma coisa
Desapontado, sempre respondo que não
Mas eu sei que sim
(e ela também sabe)
Nisso tornou-se a nossa vida:
Ela bebendo minhas sobras de esperança
E eu a flagrando feliz nas janelas
Em paisagens onde não posso tocá-la,
Onde eu sequer existo.



(Publicado na Revista Cachoeiro Cult, edição de Fevereiro de 2009)

6 comentários:

Marcelo Grillo disse...

Lud, tem uma música gaúcha, do Gujo Teixeira e do Luiz Marenco (Pra O Meu Consumo), que diz assim:

Carrego nas costas meu mundo
E junto umas coisas que me fazem bem
Fazendo da minha janela
Imenso horizonte, como me convém

Beijos

VaneideDelmiro disse...

...Ela bebendo minhas sobras de esperança... / Em paisagens onde não posso tocá-la...

Só mesmo a poesia pra embelezar e suavizar nossas impossibilidades.
Lindo poema!

Ô povo bom, esse de Cachoeiro de Itapemerim

Paixão, M. disse...

Sim, sim, eu vi a publicação! Aliás, a tenho aqui guardadinha comigo :)

Coisa linda, Lud... isso me lembra Adélia, com sua janela com tramela.

Ler você sempre é uma delícia!

bjo!

Anônimo disse...

...ACHEI!!!!
MAS NÃO ESTAVA À JANELA A VER A BANDA PASSAR...MAS APAIXONEI POR ELA...
BEIJOSSSSSSSSSSSSSSS

LECA NUNES disse...

...ACHEI!!!!
MAS NÃO ESTAVA À JANELA A VER A BANDA PASSAR...MAS APAIXONEI POR ELA...
BEIJOSSSSSSSSSSSSSSS

Aluizio disse...

Esse é o da nossa grande coincidência: Dali, absorto, o bom gosto, ahahahaha!!!
"Ela bebendo minhas sobras de esperança
E eu a flagrando feliz nas janelas
Em paisagens onde não posso tocá-la,
Onde eu sequer existo.”
Esse final é fodarástico demais!!!