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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Apaixonados



Acalme a aflição de teus olhos, meu bem
 não questione nada
 ainda que eu não possa tocar-te a qualquer instante
 mesmo eu sendo tua e não respirando-te,
 não questione.
 Vejo refletida em teus olhos a agonia de tua alma
 Porque estou em ti sem fazer-te sombra
 E teus braços não me alcançam
 Mas mesmo assim
 Não questione nada
 Não fale do amor como uma sentença
 Apenas sinta-o como um milagre
 Ou não sabes que as semente morrem para viver?
 E aconteceu-nos esse milagre!
 Éramos secos,
 Estávamos mortos
 E agora estranhamos a luz do sol,
 Rimos das novas cores da vida
 Vivemos uma felicidade que entristece
 Uma paz que atormenta
 Uma saudade que encanta
 E é por morrermos de tanto amor
 Que os anjos já não choram mais.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Variações do mesmo tema sem sair do tom*

"Amor não é necessariamente paixão e romance. Também tem a ver com companheirismo." (Woody Allen)

Não foi pelo amor. Foi pela dor.
Se não fosse assim, nada mudaria
e aquele inferno morno ainda seria real
Amor bem intencionado, mas sem clima propício para crescer:
exposto ao sol da ansiedade, matando-o dia-a-dia
Então
O céu desabou em chuva
(e o mundo desabou na minha cabeça)
Muita coisa mudou porque tinha que mudar:
perspectivas, expectativas, estações
corte de cabelo, peso na balança, temperaturas
Livros foram lidos, manias abolidas
Palavras novas aprendidas, algumas outras, nunca mais pronunciadas
Os dias tornaram-se curtos: passei a andar a duzentos por hora
(anseio por uma fermata, sobretudo por volta de quinta-feira!)
Tratamento de choque cura mesmo: perdi mil quilos na alma. 
Por aqui
o clima agora é outro
a música é mais alta que o silêncio
Nada de morte: estou vivendo!
Mas o coração continua repetindo o mesmo assunto...


* a frase que intitula este post é de Herbert Vianna, em "300 picaretas"