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sábado, 25 de fevereiro de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quando o carnaval passar




 Quando o carnaval passar
 pode ser que eu volte a viver.
 Vivo dias sem fim,
 Inchados pelo ócio
 Acordo só para ver o dia acontecer
 E ele se arrasta,
 Feito um bloco triste de carnaval;
 Ele se arrasta tão lentamente,
 Que me enjoa.
 Nesse momento, agora, nesse instante,
 O sol já brilha alto no céu
 Os barulhos da urbanidade estão aumentando:
 A cidade está de pé,
 Rumando para a produção
 Que parte de sua força
 E eu sou inútil nessa rede
 Então
 Fico pendurada na janela do tédio
 Vendo mais um dia desfilando diante de mim,
 Escapando por entre minhas mãos
 E minha juventude vai evaporando nas horas
 Mas
 Quando o carnaval passar
 Pode ser que eu volte a viver.
 No sistema
 Ressurreições e condenações,
 Homicídios e suicídios,
 Nascimentos e mentiras,
 Tudo tem hora marcada para acontecer.
 Não sei se resisto a tamanha desumanidade
 Tenho febre e questiono ser assim.

 Ah, querida,
 Mas fique certa de uma coisa:
 O carnaval vai passar,
 Sim, ele vai
 Mas as máscaras vão continuar
 E, mesmo depois do carnaval
 Sua alma de poeta não se aquietará
 Porque suas fantasias
 São outras.