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quarta-feira, 14 de março de 2012

Cativar

Até nos momentos 'bobos', é muito bom saber que você está comigo!

Há dias ouvi uma frase que desencadeou nessa ideia que ora escrevo, que me fez levantar da cama às 02:35 da madrugada. Sem fazer rodeios ou ficar buscando a melhor forma de adentrar ao assunto, depois de uma análise genérica da vida humana, descobri-me uma pessoa feliz, pela seguinte constatação: eu tenho (bem mais de) 06 amigos para segurarem as alças do meu caixão quando eu morrer. 
Parece nefasto demais falar nisso, mas não passa de uma feliz conclusão!
O fato é que nascemos precisando do outro, é impossível chegar ao mundo e sobreviver sozinho. Aliás, antes de vir ao mundo já estamos dependendo de outra pessoa, nesse caso, de nossa mãe! E por toda a infância é assim, como também é na adolescência, na mocidade, na maturidade, na velhice, na morte e, pasme: logo depois dela, em seu último ato.
Sempre estamos precisando do outro, quer seja para mantermo-nos vivos, ou para chorar, ou  para nos ajudar a andar, a comer, a vestir, a sonhar, a resolver, a carregar pesos, a rir de nossas piadas ... 
As necessidades variam, podem ser vitais ou subjetivas, mas sempre precisamos de pessoas.
Implodir sempre deve ser triste.
Engolir derrotas inteiras deve ser desesperador.
Celebrar vitórias sozinho deve ser deprimente.
Sentir dor sem alguém por perto deve ser angustiante.
Morrer solitário deve ser horrendo.
E ter o caixão carregado por qualquer um, deve ser o auge da mediocridade humana.
Tenho andado assustada com pessoas que se julgam autossuficientes, que acreditam que realmente não precisam de alguém. Mas a vida está aí para nos provar, a cada segundo, que um fio a separa da morte, a mesma distância tênue que há entre a saúde e a enfermidade.
Ontem minha filha me disse que jamais se despede brigada de uma amiga sua, pois ela não sabe se é a última vez que elas estão se vendo. Crianças! Quanto têm a nos ensinar...!! Do lado de cá, nós sempre achando que temos todo o tempo do mundo, que maltratar hoje não pode implicar em remorso algum amanhã, que barbaridade.
Ah, só estou desabafando. Esse choque com a autossuficiência alheia vai passar. Vou voltar pra cama agora, estou com sono. E caso eu não acorde mais, tenho certeza de que tenho (bem mais de) 06 amigos para segurarem as alças do meu caixão. 

E você, tem?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Banzo*



 
*Escrito em janeiro/ 2010, ocasião em que a recebi em minha casa


Saí do trabalho com um medo enorme de chegar em casa. Ao mesmo tempo em que sentia ansiedade, ainda que eu tivesse a certeza absoluta de que tudo voltara ao triste normal, lá no fundo do coração eu nutria uma esperancinha de algo ter dado errado e todos estarem lá ainda, a me esperar.
Quando vi a porta trancada, já se fez um nó na garganta. Ver o varal vazio não me fez bem. Ao abrir a porta e não ver as malas pelo chão, não me contive e chorei com uma dor tão profunda que chega a ser indizível.
Vê-la em cada detalhe, nos chinelos colocados simetricamente perto da cama, na cama arrumada, nas toalhas estendidas ,em tudo muito arrumadinho e em contrapartida o gritante silêncio a me olhar, me fez sentir a normalidade do meu cotidiano na carne.
Desabei ao ler o bilhetinho dela que estava ao lado do computador.
A vida real estava de volta, a solidão estava aqui outra vez. Ontem ainda havia roupas no varal, chão molhado, comidinha de mãe me esperando, risadas dela pela casa, curiosidades sobre minha pessoa, perguntas e brincadeiras tão reais... e hoje o vazio, a mais completa solidão, vestígios de vida espalhados pela casa. Durou pouco, ela já se foi... fui feliz por quase dois dias, fui filha, intensamente filha, mas já acabou. Sou novamente a péssima dona de casa de tantos anos, a horrível cozinheira que prefere dormir a comer, a incompreensível que não se aguenta em tantos sonhos, problemas e vontades.
Talvez mais uma vez eu a tenha desapontado com minhas escolhas tão contraditórias; na verdade, realizá-la nunca foi o meu forte.
Conviver com esse silêncio ainda está estranho, me acostumei muito rápido com a felicidade aqui. Estou triste, parece que nunca vai passar, estou sentindo falta das vozes, do carinho, do beijinho de seja bem-vinda, mas eu sei que vai passar, logo estarei novamente adequada à minha vida, a ser filha de vez em quando, por minutos, online.
Mas agradeço a Deus por tudo o que vivemos aqui nessas poucas horas, pela sua vida_ a mais importante_, pelos conselhos, exortações, cuidados. Que Deus te abençoe sempre, meu amor.
Mas a dor das lembranças, a dor da falta que ela faz é maior que eu. Não há nada que eu possa fazer. Só espero que passe logo.