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sexta-feira, 2 de março de 2012

Banzo*



 
*Escrito em janeiro/ 2010, ocasião em que a recebi em minha casa


Saí do trabalho com um medo enorme de chegar em casa. Ao mesmo tempo em que sentia ansiedade, ainda que eu tivesse a certeza absoluta de que tudo voltara ao triste normal, lá no fundo do coração eu nutria uma esperancinha de algo ter dado errado e todos estarem lá ainda, a me esperar.
Quando vi a porta trancada, já se fez um nó na garganta. Ver o varal vazio não me fez bem. Ao abrir a porta e não ver as malas pelo chão, não me contive e chorei com uma dor tão profunda que chega a ser indizível.
Vê-la em cada detalhe, nos chinelos colocados simetricamente perto da cama, na cama arrumada, nas toalhas estendidas ,em tudo muito arrumadinho e em contrapartida o gritante silêncio a me olhar, me fez sentir a normalidade do meu cotidiano na carne.
Desabei ao ler o bilhetinho dela que estava ao lado do computador.
A vida real estava de volta, a solidão estava aqui outra vez. Ontem ainda havia roupas no varal, chão molhado, comidinha de mãe me esperando, risadas dela pela casa, curiosidades sobre minha pessoa, perguntas e brincadeiras tão reais... e hoje o vazio, a mais completa solidão, vestígios de vida espalhados pela casa. Durou pouco, ela já se foi... fui feliz por quase dois dias, fui filha, intensamente filha, mas já acabou. Sou novamente a péssima dona de casa de tantos anos, a horrível cozinheira que prefere dormir a comer, a incompreensível que não se aguenta em tantos sonhos, problemas e vontades.
Talvez mais uma vez eu a tenha desapontado com minhas escolhas tão contraditórias; na verdade, realizá-la nunca foi o meu forte.
Conviver com esse silêncio ainda está estranho, me acostumei muito rápido com a felicidade aqui. Estou triste, parece que nunca vai passar, estou sentindo falta das vozes, do carinho, do beijinho de seja bem-vinda, mas eu sei que vai passar, logo estarei novamente adequada à minha vida, a ser filha de vez em quando, por minutos, online.
Mas agradeço a Deus por tudo o que vivemos aqui nessas poucas horas, pela sua vida_ a mais importante_, pelos conselhos, exortações, cuidados. Que Deus te abençoe sempre, meu amor.
Mas a dor das lembranças, a dor da falta que ela faz é maior que eu. Não há nada que eu possa fazer. Só espero que passe logo.

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