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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cores Frias



Os dias passam e mal posso acreditar
Caminhávamos para um lugar calmo,
sem complicações e perguntas
Estávamos em paz, na cadência do outono
Sem maiores expectativas
contemplávamos o entardecer todos os dias
e suas cores lindas nos faziam sorrir
Mas um vento tão forte, tão inesperado, nos sobreveio
...
Fez revoar todas as folhas secas, que adornavam nosso caminho
e fez cair tantas outras, que se agarravam aos galhos secos
Tudo se misturou, tudo se confundiu
Apertamos as nossas mãos ainda mais forte e,
com o intuito de não nos perdermos, nos perdemos
O vendaval [que causamos] trocou tudo de lugar,
arrancou as folhas, sacudiu os sentimentos
Despertou-nos ações inesperadas, reações imprevisíveis
Soltamos as mãos,
fomos cegados pela circunstância
O destino calmo, de tardes coloridas,
agora é lancinante e nebuloso
Nos perdemos
O que essa ventania gerou em nós dois?
Tenho medo dessa paisagem desfigurada e,
embora as dúvidas me consumam,
não consigo buscar respostas
Implodo em silêncios e não te procuro,
sem saber se isso é sensatez ou puro medo
Abro a janela, mas não te vejo
Estou cercada pelos ecos das palavras carinhosas,

pelos vultos de certezas que já não existem
Olho pela janela,
as tardes ainda têm cores, cada vez mais frias
E logo será inverno.

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