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sábado, 29 de março de 2014

Libertad Tracionera



Olhou para a vida e não havia ninguém ao seu lado
Isso não a incomodou,
apreciava [e muito] o silêncio
Olhou para dentro do seu coração e, do mesmo modo,
nele também não havia alguém
Respirou profundamente, sentiu-se livre
Não havia em sua vida com quem se planejar
Não havia alguém a quem dedicar pensamentos e vontades
Não havia alguém para quem ela ansiasse ser a melhor e a única
Não, não havia um amor ali dentro mais
O último partira,
deixara seu coração meio bagunçado,
mas agora já estava tudo no lugar
_arrumado até demais_, concluiu
Sentiu-se esmaecendo
Essas múltiplas ausências únicas começaram a anestesiá-la,
sua pulsação se desencantou,
seu sangue desacelerou, correr por quem?
A sensação de liberdade, outrora maravilhosa,
transformou-se, de súbito, em sufocamento
Ora, como viver sem um amor para amar?
E vida sem amor lá é vida?
Por quem acordar?
Em quem buscar inspiração?
Por quem lutar, por quem viver?
Sentiu seu coração fazendo força para baixo,
tornando-se muito, muito pesado,
crescendo dentro de seu peito,
inchando, transbordando, estrangulando,
inundando as suas narinas
Sentiu-se afogando,
sem flutuar e sem tocar o fundo
Seu coração estava encharcado de liberdade
Inexoravelmente ela estava condenada a ser livre do amor
e sentença alguma lhe teria sido mais cruel.

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