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terça-feira, 27 de maio de 2014

Bobagens interiores




Amo ver folhas caindo das árvores.
É meu código com Deus.
Sempre que as vejo caindo,
ouço Deus dizendo, só pra mim,
na frente de todo mundo, que Ele está comigo.

E também sempre que eu vejo um louva-deus, sorrio.
Sua cor verde é, declaradamente,
o prenúncio de uma bênção.

Beijo na testa significa "eu protejo você"
e beijos nos olhos querem dizer
"amor pra sempre".

Todo mundo tem suas bobagens interiores, feito essas minhas.

Escolha para si quem discorde de que sejam bobagens.

Fome na cidade


Ele passava por ali,
invariavelmente, todos os fins de tarde, naquele horário.
Num dia comum, dentro de sua rotina,
ao passar por ali,
ele foi surpreendido pela presença dela, 
bem ali, na calçada.
Ela, a quem decidira tentar esquecer,
a quem amava, dizendo não querer.
E enquanto a deixava para trás, involuntariamente,
de dentro do ônibus,
virou-se o quanto pôde,
fitando-a com fome e saudade.
Naquela noite não dormiu.
Pensou na fome.
Agora, todo fim de tarde 
quando ele passa por ali,
seus olhos _famintos_ a procuram,
como se ela fizesse parte de todo aquele concreto.

Amor: um imprevisto


A maior ironia da vida
é que o teu amor vai chegar
na tatuagem que você sempre censurou,
na cicatriz que você sempre temeu,
na mania que você sempre criticou,
na carreira na qual você nunca acreditou.
Quem se apega a projeções é você.
O amor não está nem aí pra elas.