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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Palpável Solidão



Nada naquele lugar era tão feliz
ao ponto de fazê-la ter vontade de estar ali
Só havia a sua palpável solidão
E a indizível certeza de ser profundamente triste
A bela paisagem não a comovia
Ao contrário, a estranhava
De fato ela era a beleza em pessoa,
Mas sua tristeza não a permitia fazer parte de tudo aquilo
Não cabia esperança naquele corte aberto em sua alma ímpar
Sua palpável solidão _passional_ a exigia inteira e assim ela se dava
Não havia espaço para a leveza bela em sua vida estrangulada
Ora, como podia, ainda assim ser a expressão mais bela da tristeza?
Ela só queria não existir
Mas existia
A tristeza precisava de sua beleza, não a deixaria morrer tão bela,
Tramava tragá-la depois de arrancar toda a sua juventude
A bela se vingava veladamente de sua palpável solidão sendo bela,
Absurdamente bela_
Na mesma medida em que era triste,
Absurdamente triste.

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