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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"Isso?"



Somos dados. Números. Inscrições. Logins.
Engoliram a vida, nos deram mediocridade, anularam nossas chances e ninguém repara nisso.
Eu não aguento mais o tic-tac, o ponto, a estatística.
Não é possível que a vida seja só isso,
esse corre-corre sem emoção, sem brilho, sem pulsação.
Será que exagerei na expectativa?
Quando eu era criança,
eu tinha pena dos escravos, 
das pessoas obrigadas a viver sem tocar na vida.
Eu tinha pena de mim mesma, mas eu não sabia.
O que eu mais rejeitei, me engoliu.
Se isso é vida, que passe depressa.

Mas eu ainda não acredito que a vida seja só isso...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A primavera não espera



"- Você se equivocou. Deu boas vindas à primavera ontem, dia 21 de setembro, mas ela só começa amanhã, dia 23."

Ora, ora. Que lapso o meu! Um leitor atento me corrigiu. Como pude me confundir? 21 de setembro não sempre foi o clássico primeiro dia primaveril?

Não me livro do bicho homem, sempre com essa mania de achar que controla o incontrolável, que determina o indeterminável. 

"-Me desculpe. É que as flores, por aqui, estão explodindo já há algum tempo. Mesmo entre as avenidas, sob viadutos, perto do asfalto quente ou dos semáforos, não importa. Para qualquer lugar que eu olhe, elas estão lá: grandes, imponentes, coloridas e vaidosas. Quem há de dizer a elas para esperarem pelo 23 de setembro, se elas não esperaram nem pelo 21!! Marque aí no teu calendário, amigo. Mostre a elas. Enquanto isso, vou adorando daqui a beleza multicor dessas delicadas flores, pisando sobre o chão amarelo, coberto de ipês. Que estupidez a delas, não esperaram pela data oficial... eis que por aqui, há muito, já é primavera!"

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A melhor ideia de Deus

Eu sei que sou confusa e quando você me compreende, me confunde mais ainda.


É que eu não sei como acontece.

Já te mandei embora um monte de vezes. Na hora eu senti um alívio infinito, como se pudesse respirar livremente outra vez. Não que você me prendesse, ao contrário, você sempre me deixou livre para o que eu quisesse ser ou fazer, mas mesmo assim, te mandar embora me dava sensação de liberdade.

Mas aí passavam poucas horas e eu começava a me flagrar olhando para o celular, como quem espera por uma ligação. Às vezes você ligou, às vezes, não. E quando ligou, te tratei com desdém, para manter o charme. Mas confesso: eu estava com o coração acelerado, vigiando aquela tela onde os minutos se trocavam e as horas também.

Já consegui ficar mais de dez dias sem te ver, sem te atender, sem te sentir.

Desde o primeiro dia que ficamos juntos, no entanto, estou sem compreender.

No início duvidei muitíssimo do teu sentimento. Por muito tempo pensei que todos os sacrifícios que fazia eram por você mesmo, pelo ego, como se ficar comigo tivesse se tornado uma questão de honra. Sim, porque já te falei barbaridades, já disparei sobre você meus olhares mais frios, e você? Manteve-se concentrado, à minha volta, esperando pelo tempo certo de me agradar de novo.

Eu até que cedi algumas vezes e reatei por admitir minha saudade, mas na maioria, mesmo com saudade eu fiz pouco caso e deixei claro que você era insistente demais, como se eu me deixasse vencer pelo cansaço. Jamais! Voltei porque quis, porque senti saudade, porque senti muito a tua falta.

E cada vez em que a gente reata, eu percebo que a minha guarda fica um pouco mais baixa. A tua paciência comigo tem me desarmado, muitas vezes, me desmontado. Fico perplexa com o teu desprendimento, com tudo o que te vejo enfrentar para estar uns poucos minutos a mais comigo.

Já perdi a credibilidade com as pessoas de tanto que falei que nunca mais voltaria pra você.

Fico constrangida com o jeito que você me olha, como se eu fosse a melhor ideia de Deus. Eu não sou.

Te falei dos meus segredos para te assustar, mas você quem me assustou quando decidiu mergulhar nos meus problemas, nas minhas crises, patologias. Eu sei que sou confusa, mas você querer me compreender _e conseguir isso_ me confunde mais ainda.

Você diz que não entrou na minha vida por acaso, que é meu anjo protetor. 

Já ri disso. 
Já cogitei isso. 
Já acredito nisso.

Muita coisa em você me irrita e essa lista de coisas me enlouquece. Você tem hábitos que precisam ser corrigidos e às vezes tropeça no português, mas mesmo quando eu, furiosa te critico, ou firmemente delicada te corrijo, você continua a me olhar como se eu fosse a melhor ideia de Deus e esse é o teu maior argumento. Como discutir? Como não aceitar?

Daí eu me sinto uma monstra, mas mesmo assim, não esboço culpa.

Numa noite de segunda-feira, no entanto, foi você quem me salvou dos meus remorsos, quando me socorreu no chão do meu quarto, escuro. Foram dezenas de cortes na perna. Eu mereci cada um deles, por cada olhar de rispidez que te dei. Você me abraçou forte. Me salvou de mim mesma. E reatamos, mais uma vez.

Sempre fui passional e não sei lidar com esse sentimento calmo que tenho por você. Não trocamos mensagens desesperadamente apaixonadas, não falamos em morte como o limite de uma separação, mas mesmo sob olhos brilhantes do passado, eu jamais senti essa paz que vem de você. Parece que estamos juntos há anos, mas ainda só tivemos um inverno.

Você, por fora, não tem muita coisa que eu julgava imprescindível no meu príncipe encantado, mas o jeito que você me olha e me trata tiram de mim quaisquer argumentos.

Talvez a melhor ideia de Deus tenha sido juntar nós dois.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Eleições - estamos todos [des]encantados



Em 1998 eu tinha 17 anos e meu voto era facultativo. 
Corri atrás de toda a burocracia e providenciei meu título de eleitor 
para votar. 
Eu votei, pela primeira vez, orgulhosa e voluntária. 
Ingênua. 
Os anos passaram, meu voto tornou-se o
brigatório.
Nos chocamos com as falcatruas, roubalheiras deslavadas, flagrantes
irrefutáveis, mas não o bastante para fazermos além de reclamar,
reclamar, reclamar.
Qualquer paisinho chinfrim lá de fora parece ser mais desenvolvido e
atraente que o Brasil, que sadicamente, adoramos censurar, mas
convenhamos: foi emocionante cantar o Hino Nacional à capela na Copa do
Mundo _ainda que tropeçando na letra!
As opções são deploráveis.
Candidatos analfabetos, dissimulados, que insultam nossa inteligência,
nossa dignidade, nossa sanidade.
Às vezes dá vontade de chorar.
Às vezes, nem isso.
Nesse ano não vou votar.
Não transferi o meu título e o sistema eleitoral de ponta do Brasil
ainda sugere que eu o faça fora da minha zona eleitoral, não é
compulsório.
Ainda.
Quem há de atirar em mim a primeira pedra por isso?
Alguém faz além de reclamar por aqui?
Quem? O quê? Onde? Por quem?
Meu desencantamento é com a gente mesmo.
Um povo tão perfeitamente colonizado, que até hoje se deslumbra com
espelhinhos e bugigangas, que se fascina com qualquer lembrancinha 'made in world'.
Que lixo de sistema.
Que triste tudo isso.
Que gigante, que nada...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Palavras são tiros



Mais uma vez eles terminaram. Ela estava furiosa, acabara de ouvir dele as palavras mais pesadas dos últimos tempos. Mandou-o embora. Ele foi. Sabia que poucos dias depois se falariam novamente e reatariam, como nas outras oito vezes dos últimos três meses.

Ela se sentiu aliviada. Pela primeira vez não estava com remorso, tampouco com medo de se arrepender. Ele foi ferino com ela e, no fundo, ela estava até agradecida por isso. Com todos os insultos ela juntou forças para arrancá-lo de vez da sua vida e prosseguir.

Dessa vez ele não ligou horas depois, como das outras vezes. Ele sabia que tinha sido estúpido demais. 

Passaram alguns dias. Ele criou coragem e ligou. Ela atendeu. Com voz determinada, mas delicada. Não sabia ser rancorosa, ela sabia que rancor dá câncer. No entanto disse a ele que era mesmo o fim. Ele não acreditou, ela sempre o perdoava! Então ele lhe pediu perdão. Ela perdoou, mas lhe explicou que perdoar não era a mesma coisa que aceitar e que não voltar para ele não era um ato de orgulho, mas de respeito por si mesma. Ele não aceitou, chorou. A ligação durou mais de quarenta minutos. 

Três dias depois sem dar notícias, ele apareceu no prédio dela, sem avisar. Quando ela desceu à portaria, encontrou-o sentado na calçada, chorando. Ele estava desesperado. A pediu para andar um pouco com ele. A noite estava quente, a lua cheia iluminava a rua. Ela aceitou. Deram uma volta pelo quarteirão, andando lentamente. Ele mal falava de tanto soluçar. Ela só ouvia, com os braços cruzados atrás das costas, dizendo com o seu corpo que não sentia o menor receio de estar ali. Nada a comovia, estava curada. Estava ali por humanidade, não por arrependimento. Não queria negar a ele a chance de se abrir, de se desculpar, de se redimir. 

Sentaram-se no ponto de ônibus no final da segunda quadra. Havia alguns carros treinando baliza a alguns metros deles. Dali ouviam um grupo de jovens rindo, na casa da frente. A rua estava bastante iluminada. Com a luz presente daquele jeito, as lágrimas dele ficavam em evidência. Ele não se importava. Chegou a se sentar no chão, bem perto dos pés dela. Estava arrependido. Mais que arrependido. Falava até em suicídio. Ela, no entanto, não sentia nada. Talvez se sentisse algum fio de ódio, seria um sinal de sentimento, mas nada.

Ele olhava para ela, reparava o quanto estava mais linda. Ela tinha uma trança caindo sobre seu ombro direito, esmalte claro nas unhas. Como ele amava a sua simplicidade! Ele suplicava que ela voltasse pra ele. Ela dizia que não. Relembrava-o  das queixas que ele mesmo fez inúmeras vezes, quando os comparavam a outros casais, como se todos fossem sempre mais felizes que eles. Ele, porém, disse a ela que era feliz com ela sim, mas não sabia. E com essas palavras, finalmente despertou um sentimento dentro dela. Ela sentiu-se malograda. Ela sabia que a felicidade no amor é evidente, ninguém é feliz no amor sem saber que é feliz no amor, oras!

 E com esse argumento infeliz, ele a perdeu, para sempre. 

Voltaram até à portaria do prédio dela do mesmo jeito, andando lentamente, ele chorando e ela, de braços cruzados atrás das costas, o ouvindo. Ela subiu de volta para o seu apartamento e ele voltou para a sua casa cabisbaixo, lento e com os braços cruzados atrás das costas, dizendo com o seu corpo que estava completamente rendido à solidão avassaladora que ora chegava para o engolir. 

Ele sabia que acabara de receber dela o último abraço de sua vida.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Saudade, um chavão

"Nada é orgânico, é tudo programado."

Hoje, ao responder um torpedo de uma amiga, me espantei com a minha própria sinceridade. Terminei o torpedo dizendo: “Quando vamos nos rever? Você é uma das raras pessoas das quais eu consigo sentir saudade.”

E é verdade.

Na “Era da Comunicação” o que somos? Somos a Geração Solidão.

Nunca houve tantas pessoas no planeta. Somos bilhões. Bilhões de pessoas. Bilhões de solidões. Todas plugadas no mundo virtual, com fones acoplados aos ouvidos _surdos para o mundo real_ e olhos atentos à uma pequena tela na mão.

A saudade, coisa que mata, virou um clichê. Assim como chamar qualquer um de “amigo”. Não é a primeira vez em que eu me indigno com isso. Amigo é amigo, colega é colega, conhecido é conhecido. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E saudade mata. Pelo menos leva à míngua. Saudade dilacera. Tira o apetite. Tira o sono. Tira a concentração. Então, saudade mata, sim senhor.

A Geração Solidão é essencialmente saudosista. Sentimos saudade do que nem sabemos, mas sentimos.

Pensando friamente (e por isso me assustei com minha mensagem), não sinto saudade de todo mundo que não está mais presente na minha vida. Realmente sinto saudade de raros, poucos. Há lembranças que me vêm à mente e me fazem sorrir, saudadezinhas gostosas de sentir. Poucas.

Há pessoas que não vejo há meses. Outras, há anos. E sinceramente não me fazem falta. Saudade não é pra sentir de tudo, nem de qualquer época ou de qualquer pessoa. Saudade é uma perspectiva do amor, e amor não se sente de qualquer jeito.

Na Era da Comunicação verbalizamos pouco. Expressamos menos ainda. Haja bateria e emoticons! Somos frios, eletrificados, automatizados, mecânicos, inexpressivos, programados. Há um vazio nessa geração, um esfriamento evidente em nossos olhos.

Na época das cartas e dos DDDs caríssimos havia mais calor humano. Precisávamos mais uns dos outros e demonstrávamos mais isso. A tecnologia não é ruim, talvez a fraqueza seja humana mesmo.

E nesses dias tão desumanos, não me sinto assim por não sentir saudade de todas as gentes. Só não gosto de sentimentos em massa, “modinha da saudade” não rola. É triste que a saudade, sentimento por pessoas especiais, seja um chavão da Geração Solidão, onde ninguém sabe ser especial.


Estou aguardando a resposta da minha amiga...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Eu não quero dançar essa dança



A menina olha as outras ensaiando a coreografia, todo dia. Elas estão entrosadas, esfuziantes e concentradas. A menina olha de longe e não se sente parte disso. Ela sabe que não faz parte disso. Estudam na mesma escola, usam o mesmo uniforme, têm os mesmos professores, patrões, mas isso não as tornam iguais. Têm desejos diferentes, saudades contrárias e sensações que não se podem acarear.

Talvez eu seja essa menina que, do meu cantinho, vejo o mundo acontecendo, as pessoas se entendendo, repetindo exaustivamente coreografias que, pra mim, não fazem o menor dos sentidos.

Às vezes me sinto no lugar errado, nascida na época errada. Gosto de músicas que não são do meu tempo, de filmes de outras décadas, autores já idos, palavras em desuso. Até os sentimentos de outrora parecem-me ser diferentes, mais genuínos, talvez mais inocentes, e por isso mesmo, mais verdadeiros. Sinto saudade do amor que experimentei um dia, que existe nos livros e nas memórias dos mais velhos que eu.

Qual é o conceito de amor hoje? Como é ter um amigo de verdade, se tudo demanda tempo e tempo é o que não temos?

Somos todos velhos conhecidos estranhos. Ainda nos surpreendemos com notícias de suicídio de pessoas que nos deram todas as evidências de que pensavam em dar cabo à própria vida. O mundo ficou pasmo com a atitude de Robin Williams, eu não. E nem me espantaria se a manchete principal de hoje fosse a de que Jim Carrey fez a mesma coisa. Isso não é bruxaria, é olhar para além do que se vê. As pessoas hoje, apesar de saberem que o mundo é fake, acreditam naquilo que veem, sem aprofundar um centímetro o olhar. Isso é praticidade. Os sentimentos são rasos, as relações são descartáveis, de uso imediato. Não existem mais amizades, compaixão, empatia, tampouco amor.
É chato ficar daqui, do canto, assistindo ao mundo fake, de belas coreografias. Toda hora alguém passa por mim e diz: “-Vai lá! Dança com elas! Não fica aqui, escondida, você é tão bonita.” E eu sinto um arrepio gelado na espinha, um desgosto profundo por ter que estar aqui assistindo a esses movimentos sem sentido, insossos, mecânicos.

Acordam cedo, trabalham, voltam,  [fazem selfies], dormem.
Acordam cedo, trabalham, voltam,  [fazem selfies], dormem.
Acordam cedo, trabalham, voltam,  [fazem selfies], dormem.
Acordam cedo, trabalham, voltam,  [fazem selfies], dormem.

Dizem que isso dignifica o homem. Com certeza isso foi dito em um outro momento, com outro sentido.

Não acredito que a vida seja isso. Elas são preparadas desde crianças para fazerem esses movimentos, nunca as vi perguntando à direção o por quê, nunca as vi inovando, tentando uma nova ideia ou música. Não tentar é uma expressão de sua praticidade inexpressiva.

E quando digo que eu quero deixar o grande teatro e ir para longe, onde não há ninguém, chamam-me de antissocial, ou de rebelde, até mesmo de louca. Mas eu quero mesmo. Sonho em um dia poder sair de perto dessas poltronas enumeradas e ir para a beira do mar. Eu terei um cachorro, talvez. Cachorros não adentram teatros, de modo que, cachorros continuam essencialmente leais. Quero não ler o programa do dia, não saber dos novos atores e suas coreografias. Não quero ter pessoas ao meu lado e sentir saudade delas, não quero ser um enigma, pois foi isso que nos tornamos. Os problemas matemáticos não são resolvidos sem atenção e concentração, e somos todos isso: problemas matemáticos. Precisamos de um esforço exponencial e exaustivo do outro para sermos simplesmente enxergados, isso é tão triste! Eu não quero mais cumprimentar quem passa por mim aqui no cantinho do corredor do teatro, tentando ser simpática por trás de um sorriso forçado, nem ficar tentando me equilibrar numa postura que não evidencie tanto o meu desconforto diante da estranheza das pessoas que me olham, mas não me enxergam, e simplesmente me atacam com suas opiniões e teorias que, estou certa, jamais perguntei.


Sim, quero uma cabana, um cachorro e o mar. Jogar meu Registro Geral fora. Não sou um número, não sou uma estatística, não sou um dado, não sou mais uma atriz desse grande teatro mastigatório. Quero ter das pessoas apenas vagas lembranças. Quero ter dos sentimentos essa nostalgia que eu sinto bem aqui, perto delas. Não quero notícias, não quero convites, dispenso a área vip. Eu só quero poder contemplar o Sol, amar o calor sem ser chamada de louca por isso. Quero afundar meus pés na areia, poder ficar em silêncio sem ter palavras exigidas. Quero ter sensações, viver em profundidade até chegar meu último dia. Quero, literalmente, morrer na praia. Isso é tão ínfimo para quem vive no glamour do teatro, mas holofotes não me interessam, obrigada. O meu anonimato sempre será o meu sucesso.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Amor que não serve



Ao desejares felicidade no amor, não sejas tolo em desejá-lo pela metade.
Não sejas tonto em quereres apenas alguém que te ame incondicionalmente.
Eu cometi esse erro.
Acreditei que um amor me bastaria.
Desejei alguém que me amasse loucamente, sem limites;
alguém que se entregasse inteiramente a mim.
Pois recebi.
Hoje tenho um amor absoluto, um coração que pulsa por mim, que me quer mais que a própria vida.
E eu não poderia ser mais infeliz por isso.
Não me atentei que não faz sentido algum ser amada e não amar.
Hoje recebo os olhares mais apaixonados, que os anjos jamais testemunharam.
E sustento meus olhos frios, distantes, indiferentes.
Fui tola ao desejar somente amor, e amor que não se troca é condenação. 
É amor que não serve para a felicidade.