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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Que venha o impeachment!


 Eu não tenho carro, e também não ando de ônibus. Não por frescura, mas graças a Deus, posso cumprir meus compromissos indo a pé. Então eu não senti diretamente o impacto do preço da gasolina, que já tá custando um rim.

Tenho sentido impacto nos “nãos” que tenho vivido. "Hoje não tem merenda na escola, alunos." "Filha, deixa o resto da compra no carrinho porque, de novo, o dinheiro não deu." "Eu sei que seu avô está enfartando, mas não há leitos." "Filha, infelizmente eu não vou poder, de novo, comprar calcinha pra você. Eu sei que você tá precisando, mas a conta de luz veio muito mais cara nesse mês, mesmo com toda economia que a gente fez." "Picolé no final de semana? Nem pensar! Não tenho dinheiro pra isso, meu amor, entenda a mamãe."

Eu, francamente, estou exausta de ver escândalo sobre escândalo explodindo na mídia, feito as bombas no Oriente Médio, o governo com sua cara blasé e o povo revoltadinho, postando um monte de mimimi sem eira, nem beira nas redes sociais. Povo burro ou masoquista, sei lá. Reza a lenda que esse povo brigou tanto pela democracia e agora cogita, de boca cheia, a volta da ditadura militar. Não prestou atenção nas aulas de História do Brasil, só pode.

O povo fala tanto em direitos, mas quando cisma em defendê-los, sai quebrando e explodindo tudo o que vê pela frente, feito bárbaros, completos imbecis com quem não se pode argumentar.

Nada muda se nada muda. E como nada tem mudado, pelo visto, nada vai mudar.

Eu não vou entrar no âmbito das planilhas e dos dados estatísticos porque, além de eu ser péssima em matemática (sempre preferi História), eu acho tudo isso muito chato. Desse modo, eu não estou inteirada de quantos milhões da nossa verba foram cortados e desviados, eu não estou a par de quantos por cento o Fulaninho e sua quadrilha têm embolsado, eu também não sei a proporção dos rombos na saúde, na educação, na segurança pública... só sei que é tudo estratosférico, praticamente imensurável para mim, reles “pãe de família”, que não conta com Bolsa alguma, tampouco com pensão alimentícia.

Mas também não sou ingênua de tacar pedra no atual governo como se algum outro fosse salvador. Não tenho um plano B. A culpa é nossa, povo. Quando é que a gente vai exigir um governo que tenha, no mínimo, o terceiro grau para assumir a direção do país? Quando é que a gente vai se interessar pela nossa Constituição? Porque lembrar vagamente das cláusulas pétreas (?) é simplório demais. É nada.

É preciso, no mínimo, interesse naquilo que nos diz respeito, é preciso, no mínimo, dar-nos respeito, e não, ficar de beicinho reclamando da Dilma e “deles”.

Eu fico decepcionada em ver alguns amigos, muito inteligentes por sinal, defendendo o atual governo. Chega de tapar o sol com a peneira, não tá dando certo, admitamos. Se agredir é um extremo, defender é o outro. Está na hora da gente parar com esse cabo de guerra, com essa Babel e passar a falar a mesma língua, urgente.
Aproveito o ensejo para pedir a esses meus amigos que me tratem como uma bárbara-imbecil-completa-com-quem-não-se-pode-argumentar. Me poupem do mimimi. Eu não tenho paciência pra rever esse filme, cheio de palavrório e sem ação. Eu aceito o rótulo de imbecil, a amizade continua, na boa.

Minha certeza reside no não que diz “não aguentamos mais”. Cortes, juros, propinas, escândalos... acham mesmo que o impeachment é a solução? Sai ela, entra quem, Zé Povinho? Antes de mudar de presidente seria mais sensato mudar de povo, esse monstro gigante que desconhece a própria força e a usa da maneira errada, que só se envergonha de verdade quando perde na Copa, de goleada, e que não teve paciência de ler esse texto até aqui por julgá-lo grande demais.

Que venha então o impeachment, mas só depois do Carnaval. Aí a gente pinta a cara de verde e amarelo, e estende a festa.

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