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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tudo é Dor



Toda dor dói.
Nascemos aos prantos,
untados no desconforto de quem sai do aconchego morno para o frio mundo.
Nos arrancam de dentro.
Nos cortam.
Nos molham.
Nos secam.
Nos deduzem, mas não nos compreendem.
Nos atiram lá dentro.
Nos retalham em cobranças.
Nos afogam em comparações.
Nos dissecam em preconceitos.
Sempre nos deduzindo, jamais nos compreendendo.
Dói o movimento dos cristais formados no interior dos rins.
Dói a sucessão de contrações para parir.
Dói o corte na carne, a pedra enterrada na derme.
Dói nascer.
Dói crescer.
Dói viver rejeitando o modelo ideal.
Dói viver a rejeição do que se diz natural.
Dói a dor que não tem rosto, é sem nome.
Dói não saber.
Dói saber demais.
Dói o mosaico de saudades inconscientes da segurança do útero de onde saí.
Dói a calmaria nauseante de quem sofre sem saber que sofre.
Dói ter que se explicar a quem nunca vai entender.
Dói tentar caber e ser maior.
Dói ter coração onde é normal ter um código de barras.
Sim, toda dor dói.
Seguimos doendo.
Sempre deduzidos, nunca compreendidos.
Puro dolorimento.

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