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segunda-feira, 9 de março de 2015

Alô? Privacidade, é pra você!


Eu ainda fico impressionada com a completa falta de privacidade que vivemos. Eu nunca sofri um acidente e fui filmada enquanto esperava pelo socorro, graças a Deus! Nem nunca apanhei na rua enquanto faziam a filmagem ao invés de me socorrer, mas sim, eu me sinto invadida todos os dias. Também me impressiona o quanto as pessoas estão despreparadas para ouvir verdades, de modo que, assumindo agora a postura de expor o que eu penso e estou sentindo, muita gente vai se sentir ofendida e vai me colar na testa de novo aquele rotulozinho chinfrim de “grossa”. Eu nem ligo. E por não ligar, fico mais grossa ainda. Pessoas querem que nos moldemos aos padrões, falemos baixo, sejamos cordiais, sorridentes e receptivos. I’m sorry, pessoas... eu sou uma porta. Minha privacidade vem juntinho com a saúde, no mesmo nível de importância.

Hoje pesquisei e tentei, de todas as maneiras, excluir a minha conta no Facebook e manter apenas a fan page, mas isso não é possível. Vou ter que continuar exposta na vitrine da loja das melhores intenções. Às vezes até me esforço para manter a meiguice. Posto coisas fofas, mas prefiro  as ácidas. Se me entendem ou não, eu não ligo. Mesmo. Infelizmente não sou muito sociável, mas o agravante é que eu não finjo ser. Isso espanta as pessoas (graças a Deus!). 

Eu ainda me lembro dos meus dias de criança, havia um telefone em casa. Era tão libertador não saber quem estava ligando e, melhor ainda, simplesmente não atender se eu não estivesse a fim. (Desculpa, mãe. Fiz isso inúmeras vezes quando você saía). Era tão boa a sensação de chegar em casa e abrir a porta correndo porque o bolachão estava tocando! Também era maravilhosa a sensação de sair e não saber se alguém ligou, ao passo que, era péssima a sensação de ligar e ninguém atender. Ainda assim, era diferente de hoje que, se quem atende é a secretária eletrônica da caixa postal, a gente nunca imagina que a pessoa está no banho ou foi à padaria da esquina e já volta. Não. Ou pensamos que a pessoa está esmagada debaixo de um caminhão (e sendo filmada por centenas de curiosos imbecis e insensíveis) ou que, pior ainda: ela simplesmente está nos ignorando.

Acho de uma violência sem fim essa coisa do WhatsApp ficar azul quando a praga da mensagem é lida. Acho medonho aparecer “visualizado” naquela mensagem que abri sem querer. Mas quer saber? Deixa ficar azul, roxo, vermelho neon, eu não ligo. Ignoro sem peso na consciência.

Desculpa, mundo. Eu ignoro mesmo. Quando eu não respondo é porque eu não estou teatral o bastante para ser meiga, e prefiro ficar sozinha. Pro teu bem, agradeça! As pessoas precisam entender, de uma vez por todas, que estar na minha lista dos contatos seja do Facebook, seja do WhatsApp, do Skype, não é credencial para invadir a minha vida.  Eu já perdi convites por ficar postergando a leitura de uma mensagem, eu já perdi até entrevista de emprego porque não atendi ligações exaustivas. No fundo, eu não perdi nada. Perderia se tivesse atendido, introspectiva  como eu estava naquele instante. Quando eu digo que odeio esse sistema e que ainda vou me safar dele, as pessoas acham que eu estou delirando, as pessoas ainda acham que minhas diferenças podem ser adaptadas. Não, não podem.

Se fosse o Bukowski falando ou a Clarice, o Renato Russo, o Ayrton Senna, a maioria compreenderia sua excentricidade e veemência. Mas, como sou uma reles mortal que está a anos-luz de distância desses seres iluminados, já estou preparada para as duras críticas.


Graças a Deus o modo voo existe! 

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