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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Avidando vou vivendo


Avidando vou vivendo...
Avidar: verbo que não mata, mas esmaece a vida
Sua primeira letra é uma porta fechada anunciando o não,
como o amoral, o atípico, o anormal
Avidar quase se encaixa no avivar, mas o V da vida o ignora
É a contra-mão do sentido de viver, é o quase morrer
É o existir _meramente existir_ na mediocridade do quase viver
Verbo que não se conjuga com vontade, mas escorrega ladeira abaixo

Avidando vou vivendo... Mas oras! Avidando não se vive!
Sou avida: um acento me salvaria, atiraria minha não-vida nos braços da avidez
Ou um breve espaço me transformaria, e eu seria o artigo definido da vida
Mas não há acento, não há espaço, nada que me salve ou me transforme
Então não me sento, não danço, não pronuncio, não descanso
E por aí sigo avidando, sem flutuar e sem tocar o fundo

Avidando vou vivendo...
No avesso da vida, na lentidão da contra-mão
Contando as horas num conta-gotas, numa ampulheta vazia
Criando verbos sem vida, verbos sem tradução
Conjugações de mim mesma, sem segunda ou terceira pessoa,
verbos que definem solidão.

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