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domingo, 12 de abril de 2015

Deve Haver Alguma Coisa que Ainda te Emocione (11/15)


“Criar meu website, fazer minha homepage,
com quantos gigabytes se faz uma jangada,
um barco que veleje, que veleje nesse infomar.”

( Gilberto Gil)
Com o 1º lugar do concurso que contei no capítulo #9, experimentei pela segunda vez a sensação de ser procurada. Depois da funcionária pública da delegacia (capítulo #8), essa era novamente a experiência de ser procurada, mas dessa vez, a sensação era boa. O jornal da faculdade fez uma matéria divulgando minha conquista, dois jornais de Cachoeiro também. O telefone lá de casa tocou mais que o normal por uma semana, foi estranho, mas foi bom.

À essa altura, eu já assinava “Clio”. Não, esse não é meu sobrenome de batismo. Aconteceu que, na época da faculdade, eu precisava ter um e-mail para interagir com a turma e os professores. Criei “ludmilahist”@etal

Esta era a referência à minha graduação. Numa aula de História do Brasil, o professor leu a lista e me questionou o “hist”. 

-- Uai! “Hist” de História, sô!

E professor Marcos Balbino respondeu:

-- Ora, se você quer homenagear o curso de História, melhor seria que fosse “ludmilaclio”.

-- Clio??? Quê isso? Por quê?

Naquela época, “Clio”, para mim, era somente o nome de um carro. E ele respondeu:

-- Sim, Clio! Clio é a musa grega da História e da criatividade. Ela é famosa por divulgar e celebrar as realizações. Ela representa a eloquência, a fiadora entre os homens e as nações. “Clio” significa “proclamadora”. Ela é a grande deusa da História para os historiadores.

Eu fiquei pasma e completamente seduzida pelo nome e seu significado. Criei meu novo e-mail assim que pude. 

Estávamos vivendo a era do Orkut. Eu ficava incomodada de expor meu nome completo, sempre tive esse receio. Também não gostava de assumir o sobrenome só do meu pai ou só da minha mãe, sempre me sinto (até hoje) traindo um dos dois se o fizer. Não sei explicar, coisa de gente tan-tan.

Enfim, acabei tirando meus sobrenomes de batismo e coloquei lá no perfil “Ludmila Clio”. No início foi estranho, mas como tem de tudo na Internet, não houve muitos questionamentos. Com o passar do tempo, vez ou outra eu escrevia para os jornais ou revistas locais e, precisando de um pseudônimo, lancei mão de “Clio” e comecei a assinar assim. 

Hoje em dia recebo correspondências remetidas para “Ludmila Clio”. Muita gente pensa que é meu nome de batismo. Em 2012, quando lancei “Sem Filtro na Veia”, nem pensei em outro nome. “Clio” sou eu escritora, não tem volta. Eu tenho muito orgulho do meu nome de batismo, e acho ótimo poder deixá-los reservados, já que vivemos em um mundo invasivo, onde tudo é perigoso, onde quanto menos informações damos, melhor para nós mesmos. 

Já tinha um nome então, continuei escrevendo, mas sem a menor noção do que fazer, pra onde ir. Apenas, despejando sentimentos no papel. Anos mais tarde, em setembro de 2008, criei coragem para mostrar a cara e fiz meu blog, o Copo de Letras. Era uma cobrança gostosa, mas era uma cobrança. As pessoas que já tinha algum acesso ao que eu escrevia, me cobravam isso. Então depois de muito relutar, decidi criar meu blog, mas não fazia a menor ideia de que nome dar a ele.

E tanta, mas tanta gente me pergunta de onde surgiu “Copo de Letras”, que vou contar e imagino que muita gente ainda nem suspeite do que realmente aconteceu.

Completamente ansiosa para batizar meu blog e sem a menor inspiração para um nome digno, que soasse bonito, peguei meu pequeno dicionário Aurélio, fechei meus olhos, abri em uma página aleatória e apontei para uma palavra. Tudo de olhos fechados. Quando os abri para ler a palavra apontada pelo meu dedo indicador esquerdo, eis que era “copo-de-leite”, a flor. Sorri, achei bonitinho e imediatamente matutei algo semelhante, tão logo me veio à mente “Copo de Letras”. E assim nasceu o nome. Pura sorte, acaso, não sei. Só sei que não foi pura criatividade, precisei do santo Aurélio para tal batismo. Nessa aí Clio não me ajudou! E por falar em Clio, acho que Marcos Balbino, meu professor, não se lembra da tal lista de e-mails. Acredito que ele nem imagine que naquela noite ele estava me batizando com o nome que agora é meu, que irá comigo até o fim: Clio, a proclamadora.

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