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domingo, 19 de abril de 2015

Deve Haver Alguma Coisa que Ainda te Emocione (12/15)

“Há mais de mil destinos em cada esquina,
outras vidas esperando em cada esquina.”
( Humberto Gessinger)

A imprevisibilidade da vida é fascinante. Uma vez fiz planos de, depois do trabalho, ir a um armarinho para comprar uns metros de fita de seda para fazer uns artesanatos. Eu não imaginava que, no meio do expediente, teria uma crise horrenda dos rins e ficaria a partir dali, 03 dias internada no hospital. Assim é a vida. A gente não prevê o que pode acontecer, tampouco quem vai conhecer. E foi da maneira mais incrível que eu conheci a Natássya, minha amiga para a vida toda, que viria a ser a fotógrafa do meu primeiro livro, “Sem Filtro na Veia”.
Em Alegre, cidade vizinha de Cachoeiro, teria o Festival de Música, que acontece anualmente. Fui para a porta do hotel, em minha cidade, no intuito de tietar mais uma vez o Herbert Vianna, meu maior inspirador musical do Brasil. Acontece que o Calypso também estaria presente na mesma noite, e a cidade inteira estava em frente ao hotel, obstruindo o trânsito para ver a Joelma.
Eu já estava desanimando. A moça do meu lado, que também estava com a cara colada no vidro da porta do hotel, também. Ela queria ver o hermano Camelo. Acho que éramos as únicas que não estavam ali pela Joelma. Começamos a conversar alguma coisa, que não me lembro, descobrimos que éramos fãs da Maria Rita, que estaria no mesmo festival na noite seguinte.
Papo vai, papo vem, viramos amigas de infância em minutos. Até o segurança do hotel já era nosso brother e nos deu a dica de voltarmos na tarde seguinte para vermos a Maria Rita, já que, à noite, provavelmente, seria outro tumulto. Frustradas por não termos visto o Herbert Vianna, tampouco o Marcelo Camelo, combinamos de tentar chegar perto da Maria Rita no dia seguinte. 
Chegamos por volta das 13:30h, o segurança do hotel sorriu. Disse-nos que, pelo horário, ela logo já estaria de volta com a sua empresária. Dito e feito. Poucos minutos depois, estávamos diante de nossa musa, Maria Rita. E o melhor: sem nem um pentelho sequer nos apertando ou espremendo contra o vidro da porta do hotel.
Maria Rita foi linda conosco. Pousou para fotos, deu autógrafos para a “Ludmila com D mudo” e para a “Natássya com dois S e Y”. Nos despedimos, desejamos a ela sucesso. Não iríamos ao show. Maria Rita se surpreendeu e perguntou-nos por quê. O de sempre, grana. Não tínhamos. Maria Rita se afastou, conversou ao pé de ouvido com a sua empresária, que se aproximou de nós escrevendo num papelzinho e disse: “chega lá e entrega isso pro segurança.” Maria Rita sorriu, piscou o olho e foi pro elevador.
Não sei explicar os sentimentos daquele instante. Eu já estava realizada por ter conseguido trocar umas palavras com Maria Rita e, poucos minutos depois, tinha nas mãos uma carta branca para assistir ao seu show!
Ainda assim faltava-nos a grana para as passagens. Época difícil, dureza absoluta. O porteiro do hotel se solidarizou conosco e disse para chegarmos no fim da tarde que ele mesmo arranjaria um meio de transporte para nós. Horas mais tarde, sem a menor ideia do que nos esperava, chegamos lá, recém-conhecidas, Natássya e eu, com uma grande aventura para contar (e terminar de viver).
O segurança do hotel, não sei como, arranjou para a gente nada menos que a van do Rappa para nos levar. Fora o Falcão, estavam todos os integrantes da banda presentes na van. Natássya e eu fomos quase que mudas durante todo o percurso. Era informação demais, emoção demais para processar. Quando chegamos à exposição de Alegre, já desembarcamos na área vip, junto com o Rappa. O bilhetinho que a empresária da Maria Rita escreveu nos deu acesso ao palco, lugar que ficamos hipnotizadas, assistindo ao show da Maria Rita.
Quando acabou, fomos pra porta do camarim. Havia dezenas, talvez centenas de pessoas olhando fixamente para aquela porta fechada, esperando uma frestinha se abrir para, quem sabe, ver a poucos metros de si, a Maria Rita. Não demorou muito, a própria Maria Rita abriu a porta, logo nos viu atrás da grade e disse sorrindo:
-- Ludmila com D mudo e Natássya com dois S e Y, entra!
A multidão ficou perplexa, fitando a gente, que pediu licença ao segurança e adentrou o camarim. Lá dentro tiramos mais fotos, conversamos um pouquinho. Até levei uma foto da Luísa, minha filha, para mostrar pra ela. Estávamos nós 03 lá dentro, foi surreal.
Depois nos despedimos. Natássya e eu saímos pisando em nuvens.
Tenho até hoje as fotos e autógrafos da Maria Rita. E também a amizade da Natássya.

Valeu a pena, ê-ê!

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