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terça-feira, 28 de abril de 2015

Fios Brancos


Basta examinar com um pouco de atenção, lá estão eles:
cinco ou sete novos fios brancos
Com eles, ele tem cinco ou sete novos pensamentos de suicídio
É desgastante fingir felicidade,
Manter um contimento convincente, por vezes, contagiante
Toda vez em que ele se encerra no seu quarto escuro
a criança fica do lado de fora
implorando aos céus que nenhum assassinato 
seja consumado do lado de dentro
Ele não tem dela a admiração,
é humilhado por sua piedade, que o dilacera
Então respira o ar pesado da revolta, isso é tão cansativo
O sorriso forçado lhe dói a alma
Acordar é o maior dos sacrifícios
Encenar, o seu ofício
Sua oração diária é generosa: 
que toda vida que lhe resta seja doada a quem realmente a queira
Ele sempre dorme na esperança de se salvar
salvando a quem freme por viver
Mas acorda
Escorado na solidão, se levanta
Sua energia é a saudade
Seu alimento, a frustração
Desanimado, se encara no espelho
Repara na barba e nas suas más notícias
Seus olhos são tristes e cansados,
mesmo sendo ainda tão cedo
Percebe um novo fio branco, perto da fronte
e um novo desejo de morrer aflora
Não que ele não saiba envelhecer,
mas sabe que é deplorável não ter um dia de juventude feliz
para dar em troca por cada dia de velhice solitária que dele se aproxima.

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