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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sonho ao Contrário


O poema é o sonho ao contrário, 
o brinde solitário do fracasso
É o eufemismo do pesadelo, 
a voz de palavras lindas de uma dor pungente
Parir poesias é uma aparente bênção, 
mas é um grande castigo dado a esses desgraçados, chamados “poetas”,
que caminham pela dor como o sangue corre pelas veias,
que sentem o amor como uma queimadura onde a anestesia não chega

O poema é o inconformismo em nadar raso pelas palavras, 
é o submarino da alma
É o sonho ao contrário, 
o pesadelo oferecido com fina beleza
É a desilusão traduzida, a saudade latente, 
a tristeza diluída, é a morte sorridente

Os poemas felizes têm seu encanto que, no entanto,
não sobrepuja o fascínio dos poemas que choram,
que sentem saudade, que morrem de vontade, 
que flertam com a morte, que ardem de sede

A dor do mundo vê o poeta e solenemente o reverencia
A tristeza precisa dele para ser traduzida em um poema
pois não quer ser lembrada como um pesadelo, 
mas como um sonho belamente triste que,
andando na contramão da felicidade, 
já não mais respira e ainda assim, vive.

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