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sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Som do Sim

Não acredito que estou aqui outra vez
Ressentindo, sentindo tudo de novo
A dor de um novo fim, desse meu único amor
Que não cai, não se vai
Que mora longe e aqui dentro
Que eu preciso e me destrata
O som do sim me salvaria,
mas a maldita cautela não o pronuncia
Teus olhos me querem e me rejeitam
Sei que ardem de saudade dos meus
Meus dias diminuem, 
tamanha é a ausência do teu calor
Eu poderia ser a flor exuberante,
mas longe de ti eu não sei ser flor
Sou reles folha seca, 
e faço absoluta questão que assim seja
Desprezada, que ninguém enxerga
Que o vento leva e o chão beija
Que só quer se esconder, ser pisada pelo esquecimento
A dor da saudade é devastadora
e célula a célula vai me apagando
As memórias estão vivas, antes morressem!
Mas é a lembrança da luz dos teus olhos
que me mantém respirando
Vou vivendo sem tocar na vida
Ando, mas por dentro estou em coma
Meu silêncio grita, minh'alma chora
Eu só queria não ter te conhecido
A vida não teria graça desde o início
e eu não saberia como é essa tal alegria de viver,
essa plenitude que o amor proporciona,
esse riso frouxo que a paixão escancara
Apagar-te de mim é um suicídio lento e cruel
Agora meu único e mendigo desejo é dormir
Fechar os olhos para tudo isso _que é nada sem ti
e me render ao sofrimento desse amor que chega a me doer o peito
E que vive, cada dia mais forte enquanto eu
Enfraqueço
Desfaleço
Esmaeço
Enlouqueço de saudade.


domingo, 10 de maio de 2015

Deve Haver Alguma Coisa que Ainda te Emocione (15/15)

“Deve haver alguma coisa que ainda te emocione
Um vinho tinto, um copo d'água
A chuva no telhado, um pôr-de-sol...”
(Humberto Gessinger)

Quem escreve, não para nunca. A gaveta ficava cada dia mais pesada, com mais escritos guardados. Aqui fora, muita gente me cobrando uma publicação. As pessoas não têm limites mesmo... não são poucas, até hoje, as que chegam para mim e dizem: “olha, meu ex-namorado se casou, mas me ligou ontem... escreve alguma coisa sobre isso?” ou então: “lembra daquele carinha da farmácia por quem me apaixonei e desapareceu? Semana passada dei de cara com ele na fila do cinema, nem consegui assistir ao filme, escreve alguma coisa sobre isso?” acho que esse tipo de pedido nunca vai parar. As pessoas dizem ter dificuldade de traduzir seus sentimentos e me pedem para intermediá-los. Isso não me chateia. É como um tema de redação, preciso dos elementos, mergulho na empatia e escrevo. Lastimável é escrever algo para a pessoa e ela sequer usar aspas. Já passei por isso algumas vezes. Ela simplesmente transcreve e... assina!

Enfim, em 2010 pleiteei o prêmio da Lei Rubem Braga, uma lei de cunho cultural que disponibiliza verba para diversas áreas da cultura cachoeirense. Não fui contemplada, mas no ano seguinte fui procurada para assumir o prêmio no lugar de um concorrente que, por questões burocráticas, não o poderia assumir. Dessa forma, em 17 de março de 2012, o livro “Sem Filtro na Veia” foi lançado, numa festa muito linda, regada a choro, com o grupo de choro Pó de Mico.

O livro foi prefaciado por Ignácio de Loyola Brandão. Não sou uma estrela para merecer tal prestígio, simplesmente sou uma tremenda cara de pau que corre atrás do que quer. As oportunidades às vezes são escancaradas, às vezes não. É preciso estar atento, apenas isso. Na época em que trabalhei na Secretaria de Cultura, o Ignácio foi a Cachoeiro ministrar uma palestra pelo projeto Tim Grandes Escritores. Fui designada a ir ao aeroporto de Vitória buscar a Márcia, sua esposa. No caminho para Cachoeiro, conversamos muito e eu não perdi a chance de dizer a ela sobre minha propensão a publicar um livro futuramente. Ao chegarmos a Cachoeiro, ela fez questão de me levar ao quarto do hotel onde já se encontrava o Ignácio e nos apresentou. Horas mais tarde, depois da palestra, conversamos mais uma vez e trocamos e-mails. Passei uma parte do material para ele e não sei quanto tempo depois, recebi por e-mail o prefácio. Me emocionei e me emociono sempre que o releio.

Outro fato inesquecível foi o dia em que consegui chegar perto dos Paralamas e chorei rios de ansiedade e depois, de emoção. A banda faria um show em Cachoeiro e eu acordei naquele sábado determinada: “hoje eu chego perto do Herbert Vianna, de qualquer maneira!” Fui à papelaria, comprei duas folhas de papel 60k, tamanha era a minha fé. Eles autografariam aquelas folhas, como não? Escrevi uma carta para ele, para entregar em mão, era uma poesia. 

À noite, no show, me separei de todo mundo que estava comigo, fiquei colada na grade, na primeira fila. Quando o show acabou, fui para perto do camarim. Vi entrar o prefeito, secretários, empresários, jornalistas... e eu, barrada. Mas meu choro comoveu os jornalistas, que começaram a interceder por mim. Quase não deu certo, as visitas estavam encerradas. Mas deu certo sim, abriram uma exceção e eu entrei no camarim dos Paralamas. Fui confortada pelo Bi, abracei os três. Realizei o sonho de repirar o mesmo ar que o Herbert Vianna. Tiramos fotos, recebi autógrafos... saí do camarim pisando em nuvens. Quando meu grupo me reencontrou, de longe todos sorriram: estava na minha testa que eu havia conseguido, claro que eu havia conseguido! Afinal, naquele dia eu acordei “só” para isso.

Anos mais tarde consegui que um exemplar do “Sem Filtro na Veia” chegasse às mãos do Humberto Gessinger, líder e vocalista do Engenheiros do Hawaíi. Trocamos tuítes, nem acreditei. Eu nem ia ao show, a mesa estava cara, eu não tinha grana, mas um casal de amigos me convidou. Pedi ao organizador do evento para entregar o livro e a prova de que ele foi realmente entregue foram os tuítes.


A vida é assim. Hoje você é um anônimo, mas pode ser que amanhã esteja sentado à mesma mesa em que está aquele cara que é uma estrela para você. Ainda não desfruto disso, mas não me chocarei quando acontecer. Aquela menina bobinha, que se viu diante de Roberto Carlos e mal conseguia esboçar uma palavra não chegaria até aqui se permanecesse retraída daquele jeito. O mundo é cruel. É preciso se jogar, ser ousado, sem ser inconveniente. Achar o tom é uma questão de tato. Não sou do tipo que chega sorrindo para todo mundo e apertando mãos, cordialmente, mas acredito (porque funciona!) no poder da educação. Tratar bem as pessoas abre portas, janelas, comportas... e é nisso que eu acredito.

Me lembro de um episódio de quando eu tinha uns 12 anos. Meu professor de Artes, Rosalvo Mantovani, me chamou à mesa dele para cobrar dois trabalhos que eu não havia entregado, mas havia feito. Eu era uma aluna aplicadíssima em sua matéria e estava inconformada por ter me esquecido dos dois trabalhos, que fiquei até alta madrugada fazendo. Ele me perguntou:

-- Você não me entregou os trabalhos, hoje vou fechar o diário. Que nota você acha que merece?

Eu nem pensei para responder. Meu coração falou:

-- Eu acho que mereço dez. Porque eu me dedico à matéria e porque eu sei, não estou mentindo, fiquei até de madrugada fazendo os desenhos, eles estão prontos. Eu só não tenho quem os possa trazer, mas eu fiz.

Rosalvo, meu professor de Artes, sorriu, me olhando dentro dos olhos. Aquele olhar me abraçou. E ainda sorrindo, ele pegou a caneta e, no campo em branco da minha nota, escreveu “10”.

Quando conto esses episódios da minha vida, ouço unanimemente que eu tenho sorte, mas eu discordo. A questão é saber enxergar as oportunidades ou ter forças para criá-las. E o mais importante da vida é não perder a docilidade, apesar de tantas amarguras. É conseguir se emocionar, em meio a tanta frieza. Sim, deve haver alguma coisa que ainda te emocione nesse mundo tão frio. Deve haver alguma coisa que te emocione, que te faça acreditar que vale a pena sonhar, que vale a pena amar, que vale a pena viver. No entanto, nada vai acontecer sem que haja sacrifícios. Prepare as estratégias. Esteja pronto para os imprevistos. Arrisque-se. Mas jamais perca a capacidade de se emocionar, ainda que a vida te bata forte, te espanque, te violente, Deus sempre, sempre estará presente e disposto pro que der e vier. Mais que disposição, Deus tem poder para proporcionar qualquer reviravolta em qualquer situação, é só olhar para mim, eu sou prova disso e, eu sei: ainda há muita emoção a caminho!

Com certeza há alguma coisa que ainda te emocione. Perceba!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Eu Contradição



Queria ver meus dias ao contrário,
do último ao primeiro, sem sair do lugar
Amor, lembra-me sempre
que o avesso do Sol é a Lua, não a escuridão?
Como naquele primeiro dia em que fazia calor, mas chovia
Nasci num dia de contradição

Andar em corda bamba nesse mundo ensolarado
Permeado de tanto coração gelado
Mas aquele dia não era só contradição?

Ah, se um dia eu pudesse ver meu futuro, sem estar presente!
Mas não, ele acontece, escorre lentamente
Então sigo no sentido contrário,
rodeada de gente em perfeita solidão
Avançando para o futuro, apaixonada pelo meu passado
E não há motivo algum para desesperar _ ou há?

Daqui pra frente hás de chorar, hás de sorrir
É sempre o sim e o não
e bem acima dos medos, tua exata contradição
Vivendo, morrendo, sorrindo, sofrendo
Teu passado corre a toda velocidade,
Mas o abraçarás antes do último dia
Pois viver, ainda que doa,
É o teu maior presente, velha menina.

domingo, 3 de maio de 2015

Inteira


Olhas para mim e vejo a grande interrogação gritando silenciosa
“Por que me amas, se podes viver tão mais, em qualquer lugar?”
E meus olhos se inundam, procurando minhas mãos, que se apertam
Como poderei explicar mais uma vez o que eu não sei explicar, apenas sentir?
Sorrio, meio nervosa
O amor que não compreendes me acalma
Olho dentro dos teus olhos, preocupados
Mas os meus são calmos
Sorrimos

Ora, eu te amo por egoísmo, talvez
Porque sou melhor perto de ti, porque fico feliz ao teu lado
Porque te ver respirando alimenta a minha vida”

Mas ainda assim vejo preocupação nos teus olhos aflitos

“Meu amor, não podes perder o que está guardado dentro de ti
Se saio mundo afora, e daí?
Vive em teu coração minha raiz
É para ti que sempre volto, 
É em ti que descanso
e recupero minha paz”

Posso agora ver alívio em teus olhos
Sabes que eu poderia tanta coisa, mas só teus olhos me interessam
E quando compreendes meu amor, amor
Sou a mulher mais feliz do mundo!
Agora me abraça, me beija a cabeça
Me olha daquele jeito que só teus olhos sabem olhar
Sobrevivi durante todo esse tempo sem uma palavra sequer
Estou aqui, te amando muito mais agora
E te dou todo esse tempo como prova
Descansem, olhos amados
Amor que resiste ao tempo  
acaba sendo pra vida inteira.

Deve Haver Alguma Coisa que Ainda te Emocione (14/15)

“Você não sabe o quanto eu caminhei
pra chegar até aqui.
(Cidade Negra)
Eu já me envolvi com quem não deveria. Eu já me apaixonei por um homossexual. Eu já beijei uma mulher. Eu já fui assediada durante meses por um patrão que tinha idade para ser meu bisavô. Eu já fui pra igreja só pra aproveitar seu lanche oferecido antes do culto porque não tinha nada em casa para comer.  Eu já experimentei maconha três vezes e não senti nada. Eu já tentei fumar cigarro de bali, mas realmente não gosto de cigarros. Eu já menti na faculdade insistindo em dizer que entreguei um trabalho que nunca fiz. Eu já fingi estar doente só pra não ir trabalhar.

Eu já fiz tanta coisa, eu já vi tanta coisa das quais não tenho orgulho algum ou que simplesmente não me acrescentaram muita coisa. Mas todas elas são os meus retalhos, os meus capítulos, os elementos que resultaram no que sou hoje.

Apesar de ter me decepcionado com a minha igreja, nunca perdi o temor a Deus, mesmo tendo cometido tantas bobagens. Anos depois, firmei em uma nova igreja, onde assumi a liderança de jovens e estava trabalhando de corpo e alma com eles, na música, no teatro, nos eventos, sempre buscando a excelência para Deus. Em 2013, depois de um teste de seleção, fui chamada para ingressar numa companhia de teatro cristão, no interior de São Paulo. Certa de que estava direcionada por Deus, deixei minha filha em Minas, com nossa família e fui.

Durou apenas 46 dias, não deu certo por vários fatores que não merecem ser mencionados. Fui, então, para a casa de uma amiga, em Hortolândia, a Carol. Carol é um anjo de Deus na minha vida. Cheguei lá com 03 malas e uma sacola de sapatos. Era tudo o que eu tinha. Passei pouco mais de 02 meses na casa dela. Sem um real. Ela me dava dinheiro para o ônibus, pra eu procurar emprego e tal. Busquei Luísa e decidimos recomeçar. Aliás, não tínhamos opção.

Precisamos sair da casa da Carol. Luísa e eu fomos acolhidas em uma associação católica de Campinas, que cuida de ex-usuários de drogas e portadores de HIV. Morávamos na casa administrativa, com a governanta. Éramos nós três na casa. Em troca de comida e um teto, Luísa e eu éramos literalmente obrigadas a assistirmos três missas, diariamente. Trabalhávamos na associação, às vezes a jornada durava das 08:00h às 23:00h. Luísa sem escola, a ponto de perder o ano letivo. Não conhecíamos ninguém em Campinas e quem dizia poder nos ajudar, nada fazia por nós.

Por fim me revoltei. Parei de ir à missa da manhã. Ouvi barbaridades da liderança da associação. Todos se sentiam confrontados, do lado de lá e do lado de cá. Depois de uma discussão monstruosa com um deles, eu chorei loucamente, decidi voltar para Cachoeiro. Estava disposta a pedir dinheiro emprestado. Luísa me pediu calma. Disse para esperar passar o dia seguinte e, se nada acontecesse, voltaríamos.

Na manhã seguinte fui chorando para a missa. Me senti obrigada, sem opção. E Deus agiu. Em 20 anos de associação aquela foi a primeira vez que não teve a missa matinal. O preletor se sentiu exausto e não foi.

À tarde recebi uma ligação da Livraria Cultura, onde havia deixado currículo. Me convidaram a iniciar o processo seletivo. Parecia uma resposta clara de Deus, não?

Uma moça que conheci na associação arrumou uma escola para a Luísa, já era setembro. E a quarta escola do ano que ela estudava.

Na semana seguinte comecei a trabalhar. Apesar dos mais de 10 veículos da associação e de seus motoristas, ninguém levava Luísa para a escola, estavam chateados conosco. Foi aí que ela teve que aprender na marra a andar sozinha em Campinas. E aprendeu.

Os primeiros 04 domingos na Livraria eram minhas folgas, devido à escala do shopping. Como éramos terminantemente proibidas de ir à nossa igreja enquanto estivéssemos lá, nos meus 04 domingos de folga eu saía cedo com a Luísa dizendo que teria evento para as crianças na Livraria, ia pra outro shopping com ela, passávamos o dia lá, quase sem dinheiro e à noite, íamos para a igreja. Chegávamos no mesmo horário, no caso de eu estar mesmo trabalhando.

Por fim, nem xixi eu fazia mais na casa, porque quando eu chegava do trabalho, chegava na ponta do pé, no escuro e ia direto pro meu quarto. A governanta implicava demais comigo e o nosso banheiro ficava entre nossos quartos. Eu tinha papel higiênico e sacolas plásticas dentro do quarto. Fazia xixi na sacola e no dia seguinte, quando a governanta não estava, jogava fora e tomava o banho do dia.
A Luísa continuou explorada lá. Eu entrava no trabalho às 13:40h e, de manhã, tinha que ir à missa e trabalhar na associação até ao meio-dia. Ainda assim, ninguém levava Luísa para a escola. Quando ela voltava da escola, tinha que ir pra associação e trabalhar até às 22h. Eu chegava do shopping por volta das 23:30h.

Até que desabafei com minha mãe e ela, lá de Portugal, começou a pesquisar apartamentos aqui para a gente. E conseguiu. Em 02 de novembro de 2013, Luísa e eu nos mudamos. Pra variar, foi a Carol quem nos buscou da prisão e nos levou para o apartamento. Ela nos emprestou um saco de dormir e um colchão de solteiro. Além disso, só havia paredes dentro do apartamento. E os guarda-roupas, que já havia nele.

Começamos do zero, sem ter sequer um copo, uma colher.

Mas Deus nos sustentou.

Para começar, um vizinho quis alugar nossa garagem e quis pagar um ano inteiro adiantado. Combinamos 100 por mês, mas ele depositou 1560, o equivalente a 130 por mês. Compramos a geladeira, o fogão e uma sapateira, além de panelas e talheres. De Natal, ganhamos uma máquina de lavar da minha mãe. Logo nosso apartamento estava mobiliado, com cara de lar.

Trabalhei por 09 meses na livraria. A dona da imobiliária que alugou meu apartamento ficou tão chegada à gente, que me convidou para trabalhar com ela. Estou na imobiliária desde julho de 2014. Agora tenho feriados, finais de semana, trabalho sentada, num escritório lindo, no bairro mais caro de Campinas que, por sinal, é onde moro atualmente. Meus patrões têm diversos imóveis e quando o apartamento em que moro foi desocupado, eles decidiram que o melhor seria Luísa e eu morarmos aqui, a quatro minutos (a pé) do trabalho. Ando pelas ruas daqui e ainda custo a acreditar. São prédios lindíssimos, ruas arborizadas. No meu bairro estão os metros quadrados mais caros de Campinas e eu ainda não digeri que moro nele. Meus patrões também me deram a carteira de motorista de presente, o que foi o estopim do divórcio dos meus pais tornou-se uma bênção na minha vida.

Mas as particularidades permanecem...

Houve uma vez em que passei tanto mal, e não conhecia ninguém aqui, fui sozinha de táxi para o hospital. A enfermeira errou minha veia, fiquei com 05 vergões no braço. No dia em que fui de táxi e sozinha para o hospital, postei uma frase bonita no Facebook, acredito que ninguém tem que saber o que acontece na minha vida real.

Sabe, mais que nunca, abracei meu rótulo de esnobe e metida. Só Luísa e eu sabemos o que passamos aqui. Descobri que posso suportar muito mais que imaginava. Nada disso foi por acaso. Vim parar aqui por obediência a Deus.

Hoje, além de tudo, Luísa está adolescente, com 14 anos. Ela não poderia ser outra coisa senão guerreira. Além de se privar de tudo o que não posso lhe dar e ter um pai que não a procura, que não deposita sua pensão há anos, que a bloqueou do próprio Facebook e sequer lhe parabeniza em seu aniversário, é por ela que eu vivo, foi por ela que não me matei. Ela é a âncora que me mantém agarrada à vida e eu agradeço a Deus, de todo meu coração, com toda a minha alma e força pela bênção de tê-la por filha. Luísa é especial e só nós duas sabemos de nossos bastidores. Realmente não há liga mais eficiente em um relacionamento que a dor.


Parafraseando a Pitty, sim eu sou mais do que seu olho pode ver, então não desonre o meu nome.