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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Arranque-se!


Arranque o que te sufoca.
Arranque-se da situação.
Tire os sapatos, afrouxe a gravata.
Tira o jeans apertado, vista pijamas, se for o caso.
Esqueça os bons modos, não se explique.
Mude a rota, renove os sonhos.
Aumente o volume e não se importe com nada que venha de fora.
Te chamarão de inconsequente, louco, irresponsável, sem noção.
Liga não,
é dessas coisas que são chamados os que se ouvem, os livres de coração.
Arranque-se do que te sufoca.
Não aceite que te encaixem nos moldes do tempo social.
Faça teu coração parar de bater e começar a pulsar.
Parece a mesma coisa, mas vai por mim, quase nada é o que parece ser.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Doce Espera


Ela estava na pequena cozinha do apartamento, 
fazendo brigadeiro e absorvendo a música que tocava no celular. 
Desligou o fogo e começou a dançar naquele pequeno vão, 
entre a geladeira e o fogão, fazendo da colher de pau, seu microfone. 
Soltava a voz e dançava. 
Fechou seus olhos por um instante e desejou que o seu amor, 
onde quer que estivesse, 
sentisse chegar ao coração a sua alegria por viver aquele momento tão simples e feliz. 
Ela estava dividindo com ele a plenitude que sentia enquanto o esperava chegar de vez. 
E chegaria.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Os Sons das Chaves


Toda chave tem seu próprio som. Eu sei porque ao longo da vida conheci vários sons de chaves: os da casa onde morei, do carro do papai, dos lugares onde trabalhei, enfim. Todas tinham seu som exclusivo.

Hoje carrego comigo dois molhos diferentes. Procurando por eles na bolsa, me guio pelo seu som e por ele eu sei se estou pegando as chaves certas ou não. 

Que grande bobagem é ficar pensando em sons de chaves, mas é um tema que me fez pensar nos nossos próprios sons. 

Acredito que produzimos sons enquanto vivemos, a todo tempo. Em meio a tantos, um é exclusivamente para nós. É aquele som que chega familiar aos nossos ouvidos, que nos aperta a pressa de chegar logo, que oferece aconchego, abrigo, lugar de descanso e renovo. Ah, quando esse som acontece, pode saber, encontramos o nosso lugar! 

Às vezes a gente força a chave errada. Ela entorta. Empena. Às vezes a coitada até se quebra, fica inutilizada. Mas a chave certa flui, sem traumas. Tranca-nos para o medo e abre-nos para a segurança de um lugar tranquilo, de amor, melodioso, sereno. Um lugar onde a gente pode ser a gente mesmo. É o lar da gente, no coração de quem a gente ama e também ama a gente. 

E embora as chaves tenham a função de prender, a chave do nosso lar nos liberta, trancando nossa solidão e escancarando a nossa felicidade porque onde reside nosso coração, ficamos por puro querer, cadeados e segredos são desnecessários.