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domingo, 20 de setembro de 2015

Lembranças do dia em que nasci


O mundo está tão calmo, parece sorrir com a tua chegada. Ilusão.
As águas de março escorrem pelas janelas
enquanto abres teus olhos para a vida que te deram
O dia está quente,
uma manhã de outono que arde e chove, és mesmo contradição
Deus hoje te amaldiçoa com amor animal:  
hás de andar um tanto sozinha, serás poeta
Isso não te trará nenhum mal,
sorrirás tão forte que o inverno te temerá
Serás ave andando pelo chão,
podendo ir ao céu sempre que ele lhe convidar _e convidará!
Vejo em teus grandes olhos que és fera,
vais chorar somente quando for madrugada
Até as folhas secas do outono te adorarão,
elas serão teu código com Deus
Serás o melhor e o pior exemplo  
Mesmo na primavera, não te abrirás
Serás a partitura, mas permanecerás muda,
pois nunca lhe compreenderão
Serás o que presta e também o que não presta
O tudo, o nada. Jamais o que resta
Terás cada dia uma forma:  
hoje cigarrro, amanhã cinzeiro. Cama, travesseiro.
Taça, vinho. Águia, ninho. Isca, anzol. Breu, farol.
Quadro, parede. Fome, sede. Nudez, timidez. Delírio, sensatez.
Nenhum canto desse mundo lhe será estranho,
caberás em todos, menos em si mesma.
Então sorria, e finja, e sinta e seja
E goze, e plante, e adore, e cante
Mas muito mais: escreva.
Proteja teu amor insano, queira ou não queira,
pois o mundo é injusto, logo saberás
Não te iludas com o que vês,
lance teus grandes olhos sobre o que ninguém alcança
Dance na chuva que ora cai,
violentando o mundo com a tua presença
Oriente-se pelo Sol, feito um girassol
Ofereças a paz de teus olhos e esconda o puro caos que tens no coração
E assim serão todos os teus dias por aqui
Irradiando força e luz àqueles que se alimentarão dos teus raios
Morrendo sozinha sob as estrelas ao som do silêncio.

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