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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Quando a vida real até parece Aposta



Dia desses pulei cedo da cama e fui dar uma volta na Avenida Paulista. Estava na cidade a passeio e queria sentir de novo a energia daquele lugar. Sim, é um amontoado de concreto, o ápice da urbanidade, mas paira uma atmosfera muito forte sobre aquela avenida e só quem já passou por lá sabe do que estou falando.

Era manhã de domingo. Entrei numa livraria imensa, estava acontecendo dois lançamentos de livro ao mesmo tempo. Coisas comuns na maior cidade do Brasil. Coisas que nunca vi na minha cidade, no interior de Minas Gerais.

Fui direto ao café e pedi um mocha quente. Não importa quantos mil graus Celsius estejam fazendo, eu sempre peço um mocha quente, é meu preferido. Ah, e pronuncia-se "móca" e não "môcha", como parece.

Peguei meu mocha, num copo lindíssimo e me sentei num banco alto, que compunha uma das mesinhas redondas do café. Fiquei observando os autores em suas mesas, distribuindo sorrisos e autógrafos, pousando para fotografias. Fora o entra e sai de dezenas, talvez centenas de pessoas à livraria.

Livraria é um lugar sagrado. Falei na atmosfera magnífica da Avenida Paulista, agora cê imagina a atmosfera de uma livraria na Paulista! Jesus!

Eu, absorta no meu café e absorvendo cada partícula daquele lugar, demorei um pouco a perceber que, bem na minha frente, entre mim e os autores próximos à entrada da livraria, havia um homem me fitando. Quando reparei, fiquei meio incomodada. Sempre fico. E também não achei nada de mais nele. Como eu não tinha um livro, sequer um folheto para me agarrar e fazer minha melhor cara blasé, fiquei mesmo desconcertada e comecei a prestar atenção em qualquer coisa. Me distraí alguns minutos reparando a emenda do tampo de madeira da mesa onde eu estava.

O homem continuava a me examinar, mas eu não dei a menor chance.

Até que duas eras de milênios depois, uma moça se aproximou dele. Ele ficou de pé e a abraçou longamente, muito feliz. Começaram a conversar. Falavam espanhol. Logo entendi a situação: ela era irmã dele e eles não se viam havia tempos. Nossa! O idioma espanhol é meu fraco, à primeira palavra pronunciada por aquele homem, foi como se luzes, anjos e corais invadissem o café e sorrissem e brilhassem para mim. De repente o homem figurou-se num ser maravilhoso e eu morri de vontade de conversar com ele. Mas àquela altura, ele só tinha uma coisa a fazer: matar a saudade de sua irmã, era como se eu já não estivesse mais ali. E não estava mesmo.

Em poucos minutos eles se foram. E eu fiquei ali, com a minha melhor companhia, com aquele copo lindíssimo e dois dedos de mocha esfriando.




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