Seja muito bem-vindo ao Copo de Letras!! Sirva-se sem moderação. ;)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Se doesse de verdade


Não havia amor, disso eu sempre soube
Não cabia, sangrava, muito doía
Na dor eu acreditei e é isso o que me dói mais
Quis abraçar, quis cuidar
Eu nunca soube se estava indo ou se estava vindo
Hoje sei que não saí do lugar
Estava me despedindo de tudo sem saber
Diluindo minha alma em partículas que deixei pairando no ar
Impressas nas almofadas, taças, toalhas e maçanetas
Ficou muito de mim no azul das manhãs,
nos ipês carregadinhos de flores,
em eventuais girassóis pelo caminho
E também em acordes e timbres específicos,
tatuagens, lençóis e temperaturas
Em temperos, cores, expressões e filosofias
(é, não vai ficar fácil daquele lado também)
Entreguei meu todo, célula por célula
E acreditei estar diante da maior alma que a minha já encontrou
Não
Ainda preciso aprender mais de almas,
ainda me impressiono com quem dissimula bem
Nunca houve amor, disso eu sempre soube
Mas cada dia em que eu pensava estar deixando lentamente a superfície,
eu era abraçada pela esperança de curar a dor daquele coração,
que parecia se contorcer de tristeza,
mas hoje vejo que era de prazer
Não houve palavra, não houve clareza
Não houve espaço para trocarmos de lugar
Me dispus a andar na corda bamba,
com o precipício bem abaixo dos meus pés
Sem rede de proteção e com o peito cheio de coragem,
Decidida a sentir aquela dor também
Abracei os riscos
e me coloquei na linha de frente para compreender aquele coração
Contudo, de enigma logo passei à piada pronta,
um troféu empoeirado na estante, que vez ou outra era ostentado
O silêncio me corroía, eu temia ser indiscreta e implodia,
E por puro medo de fazer dolorir mais, eu puxava mais dor para mim
Para me fazer de pluma, me tornei um container de perguntas
Para ser borboleta, me afundei em angústias que ninguém pode supor
Tudo porque acreditei que estava diante da maior alma que a minha já encontrou
Mas que ingenuidade a minha!
Se doesse de verdade,
meu amor se alastraria e toda aquela suposta dor
seria hoje uma amena lembrança do que nos fez mais fortes e amados
Se doesse de verdade,
hoje não haveria riso daquele lado e pranto por aqui.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O verbo mais nobre


Ouvir é o verbo mais nobre da atualidade. Essa sentença me veio depois que a angústia passou, graças a um bom coração que insistiu em me ouvir. Ouvir sugere amor, preocupação, empatia, importância, investimento, contemplação. Tempo. 

E o tempo corre tão escasso, as prioridades têm sido tão baratas, que não há tempo para ouvir. 

Lembro-me bem da época escolar em que a professora dizia: “leiam com atenção para responderem o que está sendo perguntado. Interpretem. Releiam quantas vezes for preciso. Não tenham pressa em responder.”

É bem isso, é exatamente isso. Ler com atenção. Investir tempo na leitura do outro. Ouvir sua dor, seus medos, ainda que sejam os mesmos de sempre, aquela velha ladainha nossa de cada dia. Todo mundo tem seus monstros interiores, suas batalhas diárias e seus cansaços naturais.

Mas nos cospem frases de correria, “a gente marca qualquer dia desses”. E as angústias aumentam, os monstros se agigantam e a urgência é cancelada com sucesso.

Já confundi muito sensibilidade com fraqueza. 

Mas hoje sei que são sentimentos diferentes. Quanto mais sensível for um coração, mais atingido ele será por coisas tão pequenas, que já foram desintegradas pela anestesia do cotidiano e pela cegueira que causam os dias comuns. Sensibilidade não é fraqueza. Ao contrário, é força. Só com muita força um coração não se deixa engolir pela vida sem brilho. É uma guerra a cada despertar. Corações que lutam precisam de ouvidos. E ouvidos dispostos só corações que lutam têm, que ironia! Por isso fortes andam com fortes, eles se compreendem, não minimizam as angústias do outro, sabem perfeitamente que elas não podem ser deixadas para depois porque pode não haver depois.

Ao compreender isso, tenho perdoado algumas pessoas e desistido delas, deixando-as em paz, liberando-as dos meus demônios interiores, urgentes e homicidas, a que chamam de dramas e exageros, coisa de poetisa, probleminhas adiáveis. Não são. Eu grito por um abraço, em silêncio, no limbo do precipício, mas ouvidos fracos nunca alcançarão isso. 

Que corram em paz, absortos em suas leituras superficiais.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Surpreendentemente


Se é para falar de imprevisto,
de bagunça, de caos, eu falo
A vida aperta sem dó,
não pergunta onde é o limite
No fundo ela sabe
porque surpreendentemente a gente aguenta
Já não fujo do caos:
se me isolo,
é para me ver sem máscara, essencial,
fora do alcance do veneno social
Se eu bebo,
é para me esvaziar
de todo entulho do passado,
que já não cabe no meu coração, em obra
Se eu choro,
[já] não é por fraqueza,
é minha maneira de chegar ao zero
lavando a minha alma exausta
de projetos vencidos
Sim,
surpreendentemente eu tenho aguentado
Disfarçando
Sorrindo
Cantarolando
Resistindo
O que vai permanecer sem fim até o fim
nunca é dado de bandeja
Custa paredes quebradas,
explosões, faxinas e recomeços
Dói
mas já não preciso mais de anestesia
Já nem tranco a porta todo dia
e surpreendentemente
eu tenho me preparado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Carta para quem tem medo de Amar


Eu entendo.

A vida, desde cedo, te sacudiu, te jogou para o alto e saiu de baixo. Você caiu, se machucou muito na primeira vez. E isso se repetiu. E aconteceu de novo. E de novo. E de novo.

Então sua alma começou a sangrar.

Eram os teus sonhos se quebrando, as tuas esperanças trincando, se rompendo, formando cacos que se amontoavam por dentro. 

Uma avalanche de contratempos, imprevistos e pesadelos te engoliu. E para se manter vivo, você decidiu respirar curtinho, para não mais ser percebido pela vida, para manter a falsa paz e seguir em frente.

Teu coração se afundou no mar dos cacos de tudo aquilo que você quis ser e não pôde. Submerso no entulho dos teus restos, teu coração apenas existe. Paralisado, entrevado, proibido de disparar por qualquer emoção que sinta. Teu medo de que ele se fira ainda mais o impede de se entregar.

Eu entendo.

Eu entendo que você me machuca para se defender. Eu entendo que você me fere para me proteger de si mesmo. Também entendo que não é por não querer. Você quer, e muito, mas tem medo da dor, eu entendo.

De cacos sou feita. Fui remontada com abraços apertados e com a força gentil de algumas gentes loucas que não desistiram de mim. 

Saiba que alguns pedaços se perdem para sempre. Outros, se multiplicam, isso eu não sei explicar, mas acredite: a gente consegue se refazer, apesar da dor. 

Talvez você nunca entenda por que insisto em mergulhar ainda mais profundo ao encontro de teus pavores mais cortantes e mortais só para resgatar teu coração. E sei que isso te apavora porque você sabe que vai doer, te apavora porque a dor vai te lembrar que ainda está vivo.

Mas não me importa. Pode gritar nãos. Pode me agredir com teus silêncios, fazendo cara de quem está indiferente, eu não ligo. E se te parece que sou movida à coragem, digo-te que está enganado. Sou movida pelo medo. É o medo de te saber morto em vida que me atrai com urgência para livrar teu coração desse entulho de cacos perfurantes e inflamados.

Eu entendo que para você tudo ficaria melhor se eu desistisse e voltasse daqui de onde estou, mas já estou ferida, desde o primeiro toque. Voltar daqui me mataria, voltar daqui seria desistir e desistir não é opção.

E quando enfim teu coração estiver longe dos cacos e teu sorriso finalmente for verdadeiro, então hás de entender que, para ser livre, precisa deixar doer. É o preço que a vida cobra de quem ela escolhe jogar para o alto e não socorrer. A dor vai te humanizar, vai colocar o sangue de volta ao caminho que ele deve seguir e te fazer forte. Então você há de entender que cada um tem uma loucura dentro de si. A minha é não desistir de você.











quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre a única certeza da Vida


Dizem que a única certeza da vida é a morte.
Hoje esbarrei nela. Perdi alguém querido. Perdi meu avô.
Era o último vivo, dos quatro.
Não tenho muitas memórias dele, já que cresci no Espírito Santo e ele morava nas Minas Gerais.
Nos encontrávamos uma vez ao ano, sempre na época do réveillon, mas isso foi até os meus dez anos. Depois que vovó morreu, o vi, no máximo, umas 04 vezes.
Tenho memórias vagas, de seu jeito calado, tipicamente mineiro.
Lembro-me de seus ofícios com madeira, dele de short verde na praia e também de sua caligrafia perfeita.
Canhoto por natureza, destro por obrigação.
Devo a ele minha sinistralidade, isso eu herdei do vô Zé Nunes.
Embora não tenha grandes momentos para me recordar de nós dois, o sentimento é triste.
É como se quem abriu caminho para as próximas gerações, aos poucos foi ficando para trás, dando lugar aos netos, bisnetos. E de repente, a gente olha para trás e encontra desfalcada a retaguarda da tropa. A vida segue e seguimos sempre com mais gente adiante, menos gente atrás da gente.
A morte sempre esvazia o caminho.
A morte sempre enche o coração.
Enche-o de vazio, de saudade, de sentimento de orfandade.
O fluxo não para, o clichê maior diz que a vida continua.
É, continua.
Mas ela continua meio trêmula, duvidosa, carente de um colo.
Hoje mais que nunca eu queria a minha mãe, que com certeza tem infinitamente mais memórias de seu pai que eu de meu avô.
É estranho não sentir sua sombra sobre nós, olhar para trás e não ver presença, mas pegadas.
Há história, memória. O palpável já não mais existe.
Que Deus conforte nossa família nesse momento tão triste, tão cheio de certeza e nada natural. 

Desculpa vida, mas com essa sua única certeza ninguém lida bem.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Resenha do "Febríssima" - Blog Tamaravilhosamente


O Febríssima está espalhado por todo o Brasil.
Graças a Deus tem exemplar em todas as regiões brasileiras!
E hoje saiu mais uma resenha, mais um fruto belíssimo que este trabalho está me trazendo!

 Assinada por Tamara Moureth, no blog Tamaravilhosamente, onde há algumas semanas saiu uma entrevista com as melhores perguntas que já me fizeram!

Mais uma vez agradeço imensamente a Tamara pelo zelo e capricho na edição da resenha e por todo carinho que me deu ao longo do processo de produção do Febríssima.

É um desafio ser poeta no Brasil, mas desafio é o meu combustível.
Ainda bem que posso contar com pessoas que me acreditam e me impulsionam.
O caminho é árduo, mas incrivelmente desafiador!
E eu sei: não ando sozinha!
Obrigada a todos os que me acompanham nessa insana jornada.




quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Leve Perigo


Quanto mais doce for a tua voz
Quanto mais sutil for o teu carinho 
Quanto mais lentamente entranhares em minha alma 
Mais célere chegas ao meu coração 
Eis o perigo do amor: 
chega sem avisar 
Tem fala mansa, toque leve, 
sutilezas, adornos 
E quando a gente vê, já o respira.

Furacão


Coisa boa é ficar me lembrando de você a semana inteira. 

Não, não estou falando da saudade do teu abraço ou de ficar me lembrando do teu sorriso ou do teu jeito despretensioso de olhar para mim. Estou falando das nossas conversas, das horas que passamos falando sobre tudo e qualquer coisa, daquele tempo precioso que ficamos nos reparando, nos conhecendo, mergulhando sempre um pouco mais no universo do outro. 

Daí eu passo a semana inteira me lembrando de um ou outro detalhe que conversamos. 

Fora os assuntos que você, sem saber, me faz pesquisar. É letra de música, banda antiga, raça de cachorro, ponte histórica. Acho sutil essa sua maneira de estar presente todos os dias, mesmo sem te ver. É como se você se guardasse nos detalhes dos meus dias e à medida que vou tocando neles, você vai brilhando na minha memória. Então eu sorrio, sinto uma saudadezinha gostosa. 

O sentimento é tão leve, que me arrepia. 
Que maneira mais delicada de ser furacão na minha vida!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ame-se e serás Feliz


Tenho verdadeiro nojo do discurso da autossuficiência. Tentei ser amena, mas não consigo. O que eu sinto é nojo mesmo. Essa conversa que diz que ninguém precisa de alguém para ser feliz soa bonito, mas não vejo beleza nela.

Quem já foi de táxi sozinho para o hospital e internou a si mesmo sabe do que eu tô falando. Quem cria um filho sozinho e já passou algumas noites orando pra ele não acordar por não ter nada de comer para lhe dar, também. E também quem conhece bem o silêncio sepulcral de um domingo. E quem já abraçou a si mesmo por estar só, completamente só, também.

Precisamos de alguém sim para ser feliz. Não tô falando de romance, de dividir risadas ou o balde de pipoca, mas de parceria. Não tô falando de dependência emocional ou de adoração, mas tô falando é de ter gente perto da gente pra chegar junto, dividir responsabilidades, turnos no hospital, grana pro pão. Gente que olhe nos olhos e diga: "tô aqui, confia!"

Não existe "amor-próprio" que aguente um emprego massacrante, uma casa fria, uma vida de cobranças sociais infinitas e carinho nenhum. Não há "amor-próprio" que resista a chorar pra dentro, esboçar coragem, falar sozinho quase sempre e implodir sobre o travesseiro no fim do dia.

Mas confundem os sentimentos. Chamam de "falta-de-amor-próprio" o que, na verdade, chamo de solidão compulsória. Ou de "tenho-que-me-virar-sozinho-porque-ninguém-se-importa".

Já passou um final de semana inteiro ouvindo o silêncio? Já teve suas ligações todas não atendidas, sequer retornadas? Já teve uma notícia incrível e ninguém para celebrar contigo? Pior ainda: já ouviu de um amigo que você tá exagerando, que a vida é linda e que você precisa mudar o foco? Que a saúde, a beleza, o emprego e o teto que você tem fazem de você um completo ingrato?

Essa teoria do "ame-se e serás feliz" não passa de uma forma pseudo-filosófica de dizer: "te vira, cara. Você precisa se suportar e eu não tenho nada com isso não."

Se autossuficiência fosse sinônimo de felicidade, estaríamos vivendo os dias mais felizes de toda a História da humanidade. No entanto, nunca estivemos tão infelizes. Nunca fomos tão solitários. Nunca sofremos tanto, maquiados e tão bem vestidos.

Se um beijo na testa não te comove e um abraço apertado não te faz falta, sinto muito em te dizer, parceiro, você não vai mesmo entender do que eu tô falando. Aumenta então a anestesia e be happy alone!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Sem Aviso


Meu bem, não precisa se importar
Há tanto tempo desabafo para o travesseiro,
comemoro com as paredes
Não vou lamentar tua partida,
já aprendi que a felicidade é como um raio,
Vem e vai sem espera, sem aviso
Não vou chorar
Fui feliz demais no pouco tempo em que fui tua
Meus sonhos, meus sentimentos, meus instintos
Tudo volta às suas gavetas
Prossigo meu caminho solitário,
confessando aos travesseiros,
brindando com as paredes
Mas com teu toque no meu coração
Talvez não haja mais tempestade
Talvez nunca mais caia um raio em minha triste vida
Mas não vou lamentar tua partida
Foram dias felizes sob teus olhos de menino,
carente de abraço,
mendigo de amor
Siga tua estrada
Que meu caminho eu mesma apago
Ninguém me verá sofrer por ti,
meu raio de Sol
Tempestade de carinhos
Feitiço de semanas
Lembrança mais linda
dessa minha feiura que é existir.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Resenha do Febríssima - Blog Vim, Vi e Causei



Uma das bênçãos da internet é nos fazer conhecer pessoas especiais que provavelmente não conheceríamos no "mundo real". Hoje refiro-me a Gabrielle Polary, uma pessoinha linda lá de São Luís/MA. Nos conhecemos no Instagram e firmamos parceria. Fui entrevistada e tive o "Sem Filtro na Veia", meu 1º livro, resenhado por ela. E nessa semana, com grande orgulho, recebi a resenha do "Febríssima", publicado no blog Vim, Vi e Causei que, por sinal, está lindo de viver!!!

Mais uma vez agradeço pelo carinho e pela parceria, menina Gabi!!
Bora lá conferir!!

=)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O que o silêncio não diz


Eu te procurei para me encontrar
porque perdida estou em mim mesma
Eu te procurei porque, dos meus fracassos,
teus olhos são os únicos
que ainda me fazem acreditar na última chance
Eu te procurei porque de longe sou muralha,
mas de perto não passo de um amontoado de pedrinhas tristes
Talvez de mim só reste um livro
Uma faísca
Memórias bobas
Uma intenção estranha de felicidade
Oh, eu queria saber
o que fazer para comover Deus,
se não sinto mais o gosto de vida no paladar do meu coração
Se o silêncio não me diz nada
e me confunde se está te trazendo
ou te levando para sempre
Se a exasperação é normal e ninguém compreende
Pensam que sou louca, exagerada
Que deveria viver minha vida
sem ficar pensando no que o silêncio não diz
Oh, Deus! Eu imploro!
Diga-me como posso comover Teu coração
Leia minhas lágrimas, já não tenho argumentos
Minha vida tem sido escuridão absurda
e eu estou cansada, gravemente ferida,
mas ninguém pode saber
Que eu te procurei
porque precisava de um raio de Sol
para derreter a falsa felicidade
espalhada sobre minha carne petrificada.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Entrevista - Blog Tudo Online




Dando continuidade à parceria que se iniciou com o "Sem Filtro na Veia", neste final de semana foi publicada no blog Tudo Online uma entrevista concedida ao querido Sávio França onde falei um pouquinho acerca do Febríssima, meu novo livro de poesias e de amenidades da vida...

Vamos lá dar uma conferida?

=)

Resenha do "Febríssima" - Blog Jovem Literário


Neste final de semana saiu a primeira resenha do Febríssima, assinado pela Eloísa Pompermayer, administradora do blog Jovem Literário.

Agradeço imensamente o carinho, as palavras de encorajamento e sobretudo a continuidade de nossa parceria, que se iniciou com o primeiro livro, o "Sem Filtro na Veia".

Bora conferir a resenha, febris!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Tudo na mesma Avenida


Todo coração é um pouco do passado, eu sei disso. Sempre soube. Mas sempre dói um pouco quando penso que teus olhos já brilharam na direção de outros. Que bobagem, os meus também! 

Toda paz é um pouco de agonia, aprendi isso. Nem sempre soube. Já confundi tédio com paz, mas aprendi a diferença entre eles, e hoje sei que a verdadeira paz tem um fio de agonia, uma tênue incerteza que nos mantém vivos e querendo ao outro, sem garantias.

Toda liberdade é um pouco de abandono e de companhia. Também não percebia isso. O preço da liberdade é o corte das raízes, é colocar-se disposto a cair na estrada sempre que der na telha, deixando para trás o que quer que seja, mesmo que isso vá dentro da gente, num esboço de sorriso ou numa lágrima teimosa que se joga face abaixo. É coragem de deixar para trás ou de largar tudo e ir junto.

Todo amor é um perigo, isso eu nasci sabendo. É um brilho vertiginoso, estrada tortuosa que fascina os destemidos. Agonia, liberdade, teimosia, sorriso e lágrima, tudo na mesma avenida. Todo amor é um perigo. Sem coração e sem anseio por liberdade não se ama, se entedia. Todo amor dá brilho nos olhos, fascina. Faz sorrir e de vez em quando chorar, mas aconchega também. Todo amor precisa de liberdade e de paz com fio de agonia porque amor de verdade é conquista diária, não tem garantia. 


terça-feira, 5 de julho de 2016

Entrevista - Blog Tamaravilhosamente


Hoje tem publicação da entrevista que concedi ao blog Tamaralhavilhosamente da querida Tamara Moureth, uma amiga super especial que sempre acreditou muito no meu trabalho!

Dá uma clicadinha aí em cima e passa lá para conferir!

Obrigadão, Tamara!! 

Foi "tamaravilhoso" participar do teu blog que, por sinal, tá lindo!! 


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Na Correria


Fez convite pra um café no fim de tarde.
Fez convite pra um sorvete depois do almoço.
Também teve convite pra um cinema durante a semana e também pra um bolo de fubá numa quinta-feira qualquer.
Teve convite pra uma volta na pracinha, pra uma conversa no final de semana.
Também teve pedido de socorro, pedido de um colo, de um abraço, de uma confidência urgente.
Teve mensagem ignorada, ligação perdida, desencontro normal.
Todos estavam na correria.
Todos.
Quando porém, de repente morreu, todos estavam presentes no seu velório.
Todos.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Mundo, mundo


Mundo, mundo
Todos sabem muito, demais
Quero aprender a não saber
Sentir já me satisfaz
Ensina-me a não saber
Ensina-me a não entender
Sinta-me por aqui, 
perto, dentro, única, assim
Saia da multidão
Toque minha vida
Troque minha vida
Mude minha vida!
Não seja mais um 
que se deixa sacudir, mas em mim nada altera
Quebre minhas paredes, fure meu chão
Afaste os móveis, dance na sala
Faça-me suar, fremir nas tuas mãos
Dispa minha alma com teus olhos
Fale-me de tuas querências, em silêncio
Peça-me segredos que sei te revelar
Deseje meus infinitos, te darei um a um
Decifra-me o olhar
Deflore meus medos
Arranca-me os pavores de menina 
Acenda a luz para ler meu coração
Mundo, mundo
Ensina-me a não saber
Sentir é o que preciso
Ser tua vida decolando sobre meu chão,
rumo ao meu céu infinito
Ser teu ponto de partida e anseio de chegada
Acelerando para meu brilho intenso
Quero-te inteiro, denso e complicado
Simples, entregue e rendido
Quero-te mundo, meu mundo
Não sei bem por quê
e não quero entender
Sentir já me satisfaz.

terça-feira, 21 de junho de 2016

A Palavra Certa


É, o Febríssima nasceu!

Depois de um ano de gestação, ele é palpável!

Nos últimos dias fiz _e continuo fazendo_ postagens para todo o Brasil.

Já chegou Febríssima em Minas Gerais, no Maranhão, no Rio de Janeiro, em Alagoas, no Espírito Santo, no Rio Grande do Norte, no Rio Grande do Sul, no Maranhão, em São Paulo, no Piauí, na Paraíba, no Mato Grosso!!! 

Gente... 

E os retornos começam a chegar, e são cada um mais forte que o outro.

Fico emocionada a cada mensagem recebida porque as pessoas estão impactadas com o livro, e não escondem isso. E digo impactadas com sua aparência apenas porque elas estão iniciando a leitura.

E dizer que o Brasil não é um país de leitores... não, não é mesmo, mas olha... eu conheço um nicho requintado de leitores sensíveis e vorazes de poesia, uns febris delirantes aí que ó!!!

Poesia é o que salva a gente desse mundo doente, espremido entre os ponteiros, insosso.

Poesia é o que me faz andar olhando pra cima, pra copa das árvores, de onde caem suas folhas menos frescas num dia de semana, a caminho do trabalho. 

Poesia são vocês, que acreditaram no Febríssima e meteram as caras quando levantar R$ 6.000,00 era um impossível. 

E por falar nisso, dia desses um passarinho sussurrou em meu ouvido que eu deveria substituir o "impossível" por "improvável". Ele estava absolutamente certo. Improváveis acontecem e o Febríssima taí pra nos provar isso!!

Depois do Febríssima é improvável que eu ache alguma coisa impossível!

Obrigada, febris. Gratidão para sempre!!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Arranque-me lágrimas


Arranque-me lágrimas,
ando sequiosa de emoções
Há milênios não choro,
nada me comove nesse frenesi maquinal
Arranque-me lágrimas,
as pérolas que guardei para ti, 
essas joias que carrego no coração
como lembranças dos sorrisos teus
Arranque-me lágrimas,
fazes brilharem os meus olhos
Há milênios não recebo a visita do amor e
nada alcança meu coração paralisado
Arranque-me lágrimas,
faze-me lembrar de como é lindo o teu olhar
Tome em tuas mãos as pérolas que guardei para ti,
essas joias que escondi no coração
como lembranças do que não vivemos ainda.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Só Comigo Mesma


Quantas vezes me fiz de forte, de muito forte?
Esbanjei confiança, 
desprezei consolações, 
mantive minha serenidade
Mas sempre sabendo que, lá no fundo, 
minha alma ardia de dor 
Sempre sabendo 
que um abraço sincero 
me desintegraria inteira 
Às vezes foi bom estar só, 
parecer bem, 
ter chorado só comigo mesma.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Olhos de Menino


Sei bem quem está mandando no jogo:
o fundo da taça me diz
Diga-me como desejas que seja, atenderei ao teu clamor
A noite é gelada, teu corpo inteiro grita por um abraço, um colo
Queres o calor de algum certo par de olhos
dispostos a lhes compreender sem mandar a conta
Eu poderia te abraçar tão forte
que te faria esquecer o que te trouxe até aqui
Reconheces esta estrada?
Eu também
Reconhecemos muito bem os anjos que nos guardaram pelo caminho
Te abraçarei ainda mais forte
quando faltarem palavras e incompreeenderes a compreensão
Sequestrarei teu coração, não pedirei nada em troca, nada!
Nada me afastará dos teus olhos de menino
Estes, cheios de lembranças tristes e de sonhos pueris
Não vou te invadir: eu espero
Não vou te quebrar: inteiro te quero
Sei bem quem está mandando no jogo:
o fundo da taça me diz
Quero-te em dor, em desespero, isso não me assusta
De sofrimentos sou feita e por isso afasto os que não sabem sofrer
Não vou te mandar a conta, tampouco exigir-te atenção
Percorra o mundo, livre te quero
Dolorido, sangrando, mas ainda vivo
Não te exigirei um sussurro, um carinho
Hás de vir como criança animada,
como o menino carente que és
Que exibe coragem e potência,
mas que delira com o amor como o destino inalcançável
Acho graça...
pois tens o amor bem nas mãos,
mas ainda és menino para que isso eu te revele:
tens o amor bem na palma das mãos!
Mas vá acreditando que quem manda neste nosso jogo sou eu
És menino:
somente no tempo devido
saberás que tens todas as regras do jogo nas mãos
porque nada é o que parece ser
Sou mulher, és menino
mas é a tua existência que mantém vivo o meu querer
És o que me desafia a insistir na vida,
como o prêmio inesperado
a sorte imprecisa
Meu menino forte, imprevisível
Percorra o mundo, nada teu me afasta
Pago o preço que for
para nunca mais ter de volta meu coração por ti sequestrado.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tempero Fatal


Eu queria ver o que acontece lá fora
quando me tranco aqui dentro e fecho meus olhos
Será que te conheces o bastante?
Sabes qual é o gosto do teu próprio sangue, da tua própria vida?
E se parássemos de fingir agora?
E se abraçasses a verdade ao invés de fugir?
Eu bem conheço teus gostos todos: sangue, vida, suor, saliva
e sei exatamente o que acontece lá fora 
quando me tranco aqui dentro e fecho meus olhos
De olhos fechados chego mais rápido ao teu coração _e ao paraíso
Há caminhos que conheço por puro instinto
Tens o gosto preferido, do tempero fatal
Teu silêncio me conforta e nada teu me agride
Nada exijo, nada reivindico se posso adormecer saciada em teus braços
e me iluminar com o brilho dos teus olhos famintos
Sei que te farto para a vida toda
Não sintas culpa por viver enquanto outros estão mortos em vida
Não contenhas a felicidade enquanto outros ainda choram: tudo há de passar
Se meu sorriso te encoraja, se meus sonhos te animam,
prove do teu próprio sonho para em mim acreditar
Hás de encontrar minha verdade dentro de ti mesmo
Pois te conheço muito mais que supões
e te quero muito mais que deixo transparecer
Sim, eu sei o que acontece aí fora
quando me tranco aqui dentro e fecho meus olhos
Sei dos delírios, da saudade, das vontades e fomes que sentes
Sei que o sono demora, que as horas se arrastam, que a paz se nega
Eu sei
Então feche teus olhos e se atire no precipício do meu coração,
banquete preparado para tua vida insaciável
Permita-te correr o risco da queda, 
chega de fingir que essa calmaria te sustenta
sei que doses homeopáticas não são teu forte
Sei que teu nome é coragem
Abraces o que viveu dizendo que almejas
Feches teus olhos para que nossos corações se alcancem de vez,
para que se devorem e se fartem em plenitude 
naquilo que buscaram por toda a vida:
o tempero fatal do fogo que nos mantém vivos e amados.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Na Rota para o Inferno

Publicado no Facebook dia 18/05/2016
Hoje almocei num pequeno café, próximo ao meu trabalho.
Havia umas seis ou sete mesas, um lugar pequenininho, de atendimento maravilhoso, tudo propício para o aconchego.
Logo senti-me uma estranha _normal isso.
Eu era a única que não estava usando o celular.
Todas as pessoas estavam ignorando a comida, que esfriava sobre a mesa. Todas.
Todas!
Do lado de cá fiquei pensando...
O que estamos alimentando hoje em dia?
Vi pessoas engolindo suas comidas sem percebê-las, nitidamente sem sentir o gosto do que, visualmente, estava lindo!
O que nos mata? A fome ou uma bateria arriada?
Onde foi que perdemos a capacidade de priorizar as coisas, as pessoas, os sentimentos?
O toque na tela tem nos deixado intocáveis.
Para que lado do inferno estamos indo, meu Deus?!

sábado, 14 de maio de 2016

Na Esquina do teu Coração

Hoje absorvi o Sol como um girassol
Escolhi o lugar rejeitado, ensolarado
Sentei-me e deixei-me queimar
Arder
Ouvi meus pensamentos fervilhando
E quando pensares que estou em tuas mãos,
posso voar, evaporar, desaparecer
Cuidado,
não sou o que pareço ser:
vulnerável, fácil, na palma de tuas mãos, não!
Mas sou surpresa, sonho bom, realidade impensada
Eu estarei te esperando há milhões de anos
na esquina do teu coração, quem há de prever?
Talvez eu te veja testando centenas de novos beijos,
gozos rasos, um punhado de “bom dia” comuns
Eu estarei te esperando há milhões de anos
na esquina do teu coração
A gente sabe quando toca o ponto exato do corpo, da alma
Não me importam os tamanhos dos teus fantasmas,
simplesmente me farei maior
Não me importam as lembranças das melodias,
eu sou um novo significado delas,
da própria vida, do teu respirar
e até do teu querer permanecer respirando
Vais me encontrar no fundo do teu copo, da garrafa, da tua alma
Da noite escura que teus olhos alcançam
Eu estou no fundo do teu ser,
sentada, à espera que percebas,
que sou teu girassol, teu gole, teu Sol
Tua existência barata e profunda
Não havia nada até que surgimos e acendemos a luz da vida
Então me cubra de carinhos nesta noite,
dê-me asas para voar sobre teus sonhos empoeirados
Vou amanhecer ao teu lado,
encaixada em teus braços
Esmaecendo as lembranças que ainda pensas amar
colorindo o novo dia com novos sonhos e devaneios
Sim, sou maluca, louca, insana
Quero o impossível, quero as cores do mundo, impensadas
Quero aquilo que nem sabes que sentes
Quero explorar teus sentidos, teus máximos
Quero aquilo que pensas conhecer, que chamas de destino, de amor
Quero o que não tem nome
Porque o amor do mundo não me interessa
Quero o simples, o louco, o inominável
Teu coração local, forasteiro, presente, intocável
Quero tua vida, liberdade, cheiro e anseio
O que nunca deste a ninguém por incompreensão, ingratidão, devaneio
Aceito
Porque sou o que nunca tiveste e talvez não saibas lidar
Mas sejas simples, livre, 
Simplesmente livre
e terás em mão 
minha alma, minha vida e respirar.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Do Lado de Dentro


Silêncio não se faz quando respiro
Minha cabeça tem pensamentos estrondosos
Minha existência é um grito de vontade
Eu entrei na tua corrente sanguínea
Cheguei sem previsão e explodi diante dos teus olhos
Para calar-me
terás que me beber, gota a gota
Devorar com os dentes cada sonho de fogo 
que te impede a calma antes de dormir
Se queres arrancar-me dos pensamentos
fatia a própria pele, como quem enlouquece para se livrar de uma tatuagem
Se não queres me tocar, corta-te as mãos
Se não queres sentir, 
arranca o coração do peito, ainda quente e pulsando
Pois em vida não te livrarás
Estou do lado de dentro, imiscuída no teu sangue
Escorro pela tua face temperada pelo teu suor
Se me corta, cresço de novo
Se me afoga, ressurjo como uma sereia de cauda reluzente
Se me mata, renasço feito Fênix, em teus pensamentos mais insanos
Se me prende, 
desapareço e volto borboleteante em tua pele quente, 
com toques de leveza e incêndio
Quantas tentativas já fizeste de te livrar?
Quantos desvarios e febres tens só de imaginar?

Quantos caminhos já tomaste, em aceleração, para esquecer?
Pois beba teu sangue todo
Mate-se quantas vezes sentir-se arder
Lança-me no fogo e veja o que acontece
Grite até à exaustão
Tente exorcismo, suicídio, autocombustão
Hás de se acalmar quando enfim perceber
Que estou por dentro, sorrindo em cada célula da tua alma
Olhando-te profundamente
Esperando pacientemente que percebas
que isso, que parece um tormento,
é tão somente
a porta aberta para a tua paz.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Gente Presente


Correria é normal. Bastam dois minutos de prosa e logo se reconhece uma alma esgotada. A alegria de viver anda meio rara no mundo real. Estamos todos muito cansados, nos equilibrando entre os ponteiros do sistema, com saudade de um tempo que ficou ali, bem ali atrás.

Reclamar é normal. O cansaço é evidente, os problemas se agigantam. Nos perdemos entre corantes, conservantes, paralisantes de vivacidade. Corremos em câmera lenta. Corremos, mas não chegamos a lugar algum. A cama é o lugar mais cobiçado da nossa carne, sempre exausta.

Exigir é normal. Querem nossa atenção. Nosso tempo. Nosso sangue. Querem nosso sorriso, ainda que estejamos morrendo em dor. Querem nossa alma, mesmo a gente não sabendo em qual ponto da estrada ela soltou da nossa mão.

Falta leveza nesse mundo cão. Estão todos muito pesados.

Falta aquele olhar de pluma, aquele peso de borboleta sobre nossa alma, de gente que sorri com os olhos, abraça nosso mundo e em dois segundos transforma nossa angústia em cumplicidade.

Coisa boa é descobrir-se acompanhado, mesmo sem toque.
É saber-se observado de longe, é sentir-se apoiado no inferno.

Coisa boa é conhecer gente entendedora de silêncios, que não exige nosso melhor, que não exige nada, gente que se sente completa com a nossa presença. Por falar em presença, gente assim é presente. Presente da vida, com laço de fita vermelha, reluzente. É gente que chega quando estamos moídos, em mais de mil cacos, sem saber por onde recomeçar, já que temos que continuar na correria, ouvindo reclamações e exigências de todos os lados. Mas gente-presente-com-laço-de-fita-vermelha-reluzente sabe que o abraço ainda é a cola mais poderosa para remontar-nos, caco a caco.

Que na correria vazia dos nossos dias lotados não passemos batido pelo presente da vida. Abraços ainda curam. Neles, nossas almas se reencontram e retomam, aquecidas, a fria estrada.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Dissonantes

Por: Ronald Mignone e Ludmila Clio
(Mais um nosso!!)
O ar à nossa volta está carregado de vazios
Desprezos velados em silêncios cortantes, mas cotidianos
Tudo é morno
Caras de água, inexpressões insossas
Alianças congeladas, sonhos esquecidos, mistérios mortos
Não! Somos dissonantes!
Destoamos dessa realidade
Vivemos as delícias da rara cumplicidade
Disparamos olhares, docemente maliciosos,
que anteveem como morreremos saciados mais tarde
Nos provocamos com toques ousados,
muito bem disfarçados
A deixo ruborizada e quase me entrego ao vê-la tão desconcertada
Esses são nossos primeiros acordes vibrantes
Nessa escala em tom menor que nos compuseram 
São os prenúncios de nossas horas ímpares e incandescentes
Prelúdios do nosso momento mágico, da nossa melodia secreta
Onde nos tornamos um único acorde
e ensurdecemos as pausas
Com a bênção dos anjos, ao som de mil corais
No instante em que o universo nos assiste exceder todas as notas
Onde as palavras sobram, não faltam
Nossos corpos se devoram
e nossas almas se bastam.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ao Inferno


Enquanto teu coração de gelo se dissolve no meu fogo
quem queima sou eu
Sinto a dor da queimadura, o fogo inesperado
Ranjo meu dentes de desejo
Me contorço nos lençóis ardentes
O gelo também queima, a frieza também arde
Teu coração gelado se desfez na minha fogueira
e chora uma saudade que já não existe mais
A transformei em cinzas, sem piedade
Sou Fênix, ave dourada que se refaz de seus restos
Então pare de ser esse menino chorão
em busca daquilo que deixou para trás
Ouça teu coração dividido
Ouça teu coração bandido
Ouça teu coração aflito
À minha procura, me desejando

Hipnotizado pela minha coragem inconsequente,
que faz eu me jogar em tudo o que eu acredito
Sim, guiada pelo meu coração,
vou ao inferno, sem questionar
Nenhum preço é alto o bastante
Nenhum imprevisto me choca
Nenhuma dificuldade me paralisa
Não espere de mim receio, tampouco pé atrás
Não sei o que é medo, ignoro covardias
Rio das previsões, apareço como um raio no negro céu
Me atiro, me jogo, arrisco sem pensar
Estou sempre adiante, à procura do problema
Com o colo pronto e o abraço mais duradouro
Para incendiar tristezas
Dissolver medos
Abrandar iras
Tenho a guerra na cabeça
Sangue nos olhos
e toda paz do mundo nos braços.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mais de Mil


Eu estava cheia de ideias, com a alma inspirada,
com mais de mil temas
decerto nasceriam mais de mil poemas
Desisti de dormir,
cedi ao coração
Viveria a minha noite de poesia
e amanheceria em meio a mais de mil poemas!
No entanto, eu estava equivocada,
toda a inspiração era uma, apenas
Não nasceram mais mil de poemas,
não havia tantos temas
E eu vi folhas caindo, flores explodindo,
ouvi o vento sussurrando,
vi mais de mil estrelas no céu brilhando
Eram todos os vestígios do poema
falando apenas de uma saudade,
uma única saudade
que se fez maior
que todos os meus mais de mil amores da vida.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Caos


Não se pode nem morrer que se levanta uma legião para culpar o morto
Ai de quem se compadecer, ai de quem se apiedar
Não se pode mais expressar humanidade, isso soa conivência
Sempre há um idiota agarrado à sua opinião,
fragilmente formada para atacar, ofender,
deturpar a palavra, a atitude, a condição
Opiniões não defendem mais pontos de vistas,
simplesmente agridem, são armas
Para onde estamos indo?
Brigamos por defender
Brigamos por acusar
Brigamos por quem não tem nada a ver
Brigamos por tudo
Brigamos por nada
Caos
Não há perdão, benevolência
Não há compaixão, respeito
Sobra acusação, preconceito
Dedo em riste, um vazio no peito
Por isso há tanta sabedoria no silêncio
Há muita gente derramando seu palavrório untado na maldade,
no ódio, a troco de nada, de uma ideologia cega, caótica, desumana
Muito eficaz seria o silêncio de tantos que, falando,
só aumentam exponencialmente o caos
E diminuem, na mesma proporção,
a minha fé na _quase extinta_ humanidade.

domingo, 24 de abril de 2016

Páginas e Estradas


Quero lhe falar
Sobre a paz que reside nas janelas dos teus olhos,
que brilham como a lua cheia
Sobre a segurança que há em tuas mãos fortes,
que destroem, sem instrumentos, as muralhas de passados doloridos
Sobre tua respiração serena,
que namoro enquanto dormes
Sobre bobagenzinhas importantes,
que nos fazem rir do cotidiano tão gris
Sobre letras, poemas, músicas e silêncios,
que são traduções do doce carinho
Sobre o cuidado com os detalhes
que faz das sutilezas, grandes atos
Sobre dores, temas ácidos, feridas abertas
que tratamos sem censura, com leveza
Sobre a liberdade que nos move
Sobre a amizade que se agiganta
Sobre piadas internas, fotos impróprias, planos infalíveis
Sobre Lua e Sol, eclipse, pele e magnetismo
Sobre proteção, zelo, páginas e estradas
Sobre bem querer, mimos, fios e quadros
Sobre a magnitude de ver meus impossíveis
se transformando em improváveis ao comando da tua voz,
que me encoraja e impulsiona
Por fim quero lhe falar
Sobre as coisas lindas que passei a ver pelas janelas dos teus olhos,
que brilham feito a Lua cheia.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mais uma Vez


Começo, mais uma vez, aceito o novo combate
Disso sou feita, a coragem está em mim, dos pés à cabeça
Nunca respeitei o medo, que me sussurra bons conselhos
Eis a alvorada do sentimento, 
o primeiro fio de luz que entra pelos meus olhos ainda dormentes
De longe se ouve o retumbar do coração estraçalhando em mil o silêncio da solitude
Sinto as células _uma a uma_ despertando da anestesia profunda
e o sangue fremente, 
superando a corrida da vida a explodir em minhas veias ardentes
Eis o desafio da entrega plena, cega, destemida, fascinante
Haverá razão mais legítima para respirar?
Nem mesmo a dor avassaladora da ausência me intimida
A recebo sem filtro na veia, de cabeça erguida
Desistir eu não entendo, aumentar a dose não me acalma
Eis a alvorada do amor, 
o primeiro fio de luz que sai do coração renovado
Abraço a coragem, recebo a sua bênção
A liberdade me sorri, sua herança é meu próprio sangue
Leva-me como um verso de loucura,
Cante-me como uma estrofe de insanidade
Nunca hás de compreender
Pois começo mais uma vez, aceito o novo combate, isso está em mim
De coragem sou feita, dos pés à cabeça
Início, meio e fim.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Abraço de Música


Se a solidão está demais, ligas o som,
abras o coração para a música entrar
Deixas o volume mais alto,
para não ouvires teus gritos internos
Deixas cada pausa, cada acorde,
cada timbre levar-te pela mão
O abraço começa sempre leve e sutil,
mas quando vês, 
já estás atado à música, tão forte,
que a dor começa a escorrer pelos olhos
Um abraço de música às vezes é tudo o que precisas
para não te lembrares que a solidão está demais.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Alívio Imediato


Dar caminho
Coração
Chão para pisar
Queres segurança, tens o coração desconfiado
Vieste da dor
Decepção
Frustração
Caminho imperfeito
Vidas cruzadas, atropeladas
O tempo
O fim
O tempo
A ferida cicatrizada
Por dentro sangra
Os olhos brilham, por dentro sonham
Negas o futuro, mas ele chegou
Quero dar-te caminho, coração, chão para pisar
Segurança, curativos, paz
Por onde pensas que vais, depois do encontro de nossas almas?
Sabes bem que a lugar nenhum,
pois desde aquele toque selamo-nos um ao outro
Como tatuagem estou em tua pele
Como luz na escuridão, farol na noite, alívio imediato do passado
Que não te demores
Que não dês ouvido ao medo
Que não te sintas acorrentado à culpa
E que chegues para mim livre, por puro querer, para inteiro se dar.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Nexo Impossível


Noite quente lá fora 
Nevasca no meu coração 
Não escondo o sorriso 
Nem o brilho dos meus olhos 
No entanto, no seio da vida, 
nunca morrem as minhas vontades 
Natureza teatral 
Nexo impossível 
Ninguém alcança
Ninguém percebe 
Neve que se amontoa em minha alma 
Noite quente que congela o meu espírito 
Nossos brindes envenenados 
Nossas vidas às metades 
Nunca estarei completa 
nesse mundo de corações contentados com quase nada 
Nasci mesmo com a frequência errada.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Alma de Pluma


Minhas raízes flutuam
Se tentar me prender, eu sumo
Minha vida não tem porta:
a arranquei com os próprios dentes
Nela, fica quem quer
_ou quem aguenta o peso da minha alma de pluma
Andar de puritana 
Alma de cigana
Essência selvagem
Não ando em bando, nem em par
Nasci longe, moro aqui, tenho a cabeça lá
Minhas raízes flutuam
Se tentar me domar, eu fujo
Bola de ferro, camisa de força, mordaça
Sonífero, chantagem, poção mágica
Não há o que possa me prender
É a porta aberta que me faz querer ficar
Não espere que eu me explique
Não me exija sempre meiga
Vez ou outra minha fera interior aflora
Me retiro _sem porquê_ à minha caverna silenciosa
Então eu grito, me arranho inteira
Reflito, me refaço, renasço
Não preciso sorrir
Tampouco exibir gestos de amor
E por falar em amor,
sim, eu o posso sentir
No entanto, não há quem o aceite
Pois o que esperam do amor eu nunca serei capaz de dar:
Amor a portas fechadas, sempre desconfiado
Amor sem a luz da Lua entrando pelas janelas, sempre sufocado
Amor feito pacto de morte,
levado ao precipício a cada silêncio incompreendido
Amor tortura
Amor cobrança
Amor boleto
Amor que anula
Amor prisão
Desconheço
Estranho
Rejeito
Não sirvo
Porque meu amor é preso à liberdade
e, ser livre nesse mundo, toda boca diz que quer,
mas nenhum coração suporta ser.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Bendito Caminho


Uma alma nunca sabe quando vai tocar em outra
Um esbarrão, um toque sutil, uma palavra sem pretensão
Em minha alma foi o teu sorriso
Teu sorriso veio como um cobertor quente
sobre minha alma esquecida ao relento da solidão
Teus olhos serenos me encorajaram e, sorrindo,
gentilmente me arrancaram do medo
A vida nunca é fácil _dizem
Mas tuas mãos, sempre entrelaçadas às minhas,
me fizeram mais forte
Choramos e algumas vezes
esbarramos numa ou noutra frustração
Mas em teus olhos sempre encontrei a leveza da força vital
Bendito sorriso que nunca se fechou entre nós!
Benditos olhos serenos, amizade e compreensão!
Benditas mãos que nunca desistiram das minhas!
Olha, amor: já estamos velhos
e toda nossa vida teve o peso de um sorriso
Bendito foi o meu sim para desbravar a vida contigo!