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quinta-feira, 3 de março de 2016

Sem olhar para trás


O impossível aconteceu: o grande coração congelou
A última gota de felicidade perdeu-se na ganância humana,
subiu aos céus e fez-se pedra: chuva, nunca mais!
Se morre um poeta, que diferença isso faz?
Deram tiros nas estrelas, envenenaram os cachorrinhos
Estão todos com seus fones sem ouvir a própria alma
Encerraram a beleza da vida nas engrenagens do relógio
Quebraram seus dentes, arrancaram seus cabelos
Furaram seus olhos, cortaram sua língua
À sombra das horas repousa o cansaço sem fim
Deitam-se para morrer, em absurda desesperança
Todos atrasados, paralisados pela correria
Eis a era dos pesadelos reais, dos apocalipses matinais!
Há muito sou invisível entre toda essa gente gris
Aumento o som e imperceptivelmente saio de cena
Sei que não há tempo para o luto, não há tempo para ser amado
Sem olhar para trás, corro deste mundo horrendo de agonia
deixando sobre a mesa _para ninguém ler_
esta minha derradeira e libertária poesia.

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