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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ao Inferno


Enquanto teu coração de gelo se dissolve no meu fogo
quem queima sou eu
Sinto a dor da queimadura, o fogo inesperado
Ranjo meu dentes de desejo
Me contorço nos lençóis ardentes
O gelo também queima, a frieza também arde
Teu coração gelado se desfez na minha fogueira
e chora uma saudade que já não existe mais
A transformei em cinzas, sem piedade
Sou Fênix, ave dourada que se refaz de seus restos
Então pare de ser esse menino chorão
em busca daquilo que deixou para trás
Ouça teu coração dividido
Ouça teu coração bandido
Ouça teu coração aflito
À minha procura, me desejando

Hipnotizado pela minha coragem inconsequente,
que faz eu me jogar em tudo o que eu acredito
Sim, guiada pelo meu coração,
vou ao inferno, sem questionar
Nenhum preço é alto o bastante
Nenhum imprevisto me choca
Nenhuma dificuldade me paralisa
Não espere de mim receio, tampouco pé atrás
Não sei o que é medo, ignoro covardias
Rio das previsões, apareço como um raio no negro céu
Me atiro, me jogo, arrisco sem pensar
Estou sempre adiante, à procura do problema
Com o colo pronto e o abraço mais duradouro
Para incendiar tristezas
Dissolver medos
Abrandar iras
Tenho a guerra na cabeça
Sangue nos olhos
e toda paz do mundo nos braços.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mais de Mil


Eu estava cheia de ideias, com a alma inspirada,
com mais de mil temas
decerto nasceriam mais de mil poemas
Desisti de dormir,
cedi ao coração
Viveria a minha noite de poesia
e amanheceria em meio a mais de mil poemas!
No entanto, eu estava equivocada,
toda a inspiração era uma, apenas
Não nasceram mais mil de poemas,
não havia tantos temas
E eu vi folhas caindo, flores explodindo,
ouvi o vento sussurrando,
vi mais de mil estrelas no céu brilhando
Eram todos os vestígios do poema
falando apenas de uma saudade,
uma única saudade
que se fez maior
que todos os meus mais de mil amores da vida.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Caos


Não se pode nem morrer que se levanta uma legião para culpar o morto
Ai de quem se compadecer, ai de quem se apiedar
Não se pode mais expressar humanidade, isso soa conivência
Sempre há um idiota agarrado à sua opinião,
fragilmente formada para atacar, ofender,
deturpar a palavra, a atitude, a condição
Opiniões não defendem mais pontos de vistas,
simplesmente agridem, são armas
Para onde estamos indo?
Brigamos por defender
Brigamos por acusar
Brigamos por quem não tem nada a ver
Brigamos por tudo
Brigamos por nada
Caos
Não há perdão, benevolência
Não há compaixão, respeito
Sobra acusação, preconceito
Dedo em riste, um vazio no peito
Por isso há tanta sabedoria no silêncio
Há muita gente derramando seu palavrório untado na maldade,
no ódio, a troco de nada, de uma ideologia cega, caótica, desumana
Muito eficaz seria o silêncio de tantos que, falando,
só aumentam exponencialmente o caos
E diminuem, na mesma proporção,
a minha fé na _quase extinta_ humanidade.

domingo, 24 de abril de 2016

Páginas e Estradas


Quero lhe falar
Sobre a paz que reside nas janelas dos teus olhos,
que brilham como a lua cheia
Sobre a segurança que há em tuas mãos fortes,
que destroem, sem instrumentos, as muralhas de passados doloridos
Sobre tua respiração serena,
que namoro enquanto dormes
Sobre bobagenzinhas importantes,
que nos fazem rir do cotidiano tão gris
Sobre letras, poemas, músicas e silêncios,
que são traduções do doce carinho
Sobre o cuidado com os detalhes
que faz das sutilezas, grandes atos
Sobre dores, temas ácidos, feridas abertas
que tratamos sem censura, com leveza
Sobre a liberdade que nos move
Sobre a amizade que se agiganta
Sobre piadas internas, fotos impróprias, planos infalíveis
Sobre Lua e Sol, eclipse, pele e magnetismo
Sobre proteção, zelo, páginas e estradas
Sobre bem querer, mimos, fios e quadros
Sobre a magnitude de ver meus impossíveis
se transformando em improváveis ao comando da tua voz,
que me encoraja e impulsiona
Por fim quero lhe falar
Sobre as coisas lindas que passei a ver pelas janelas dos teus olhos,
que brilham feito a Lua cheia.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mais uma Vez


Começo, mais uma vez, aceito o novo combate
Disso sou feita, a coragem está em mim, dos pés à cabeça
Nunca respeitei o medo, que me sussurra bons conselhos
Eis a alvorada do sentimento, 
o primeiro fio de luz que entra pelos meus olhos ainda dormentes
De longe se ouve o retumbar do coração estraçalhando em mil o silêncio da solitude
Sinto as células _uma a uma_ despertando da anestesia profunda
e o sangue fremente, 
superando a corrida da vida a explodir em minhas veias ardentes
Eis o desafio da entrega plena, cega, destemida, fascinante
Haverá razão mais legítima para respirar?
Nem mesmo a dor avassaladora da ausência me intimida
A recebo sem filtro na veia, de cabeça erguida
Desistir eu não entendo, aumentar a dose não me acalma
Eis a alvorada do amor, 
o primeiro fio de luz que sai do coração renovado
Abraço a coragem, recebo a sua bênção
A liberdade me sorri, sua herança é meu próprio sangue
Leva-me como um verso de loucura,
Cante-me como uma estrofe de insanidade
Nunca hás de compreender
Pois começo mais uma vez, aceito o novo combate, isso está em mim
De coragem sou feita, dos pés à cabeça
Início, meio e fim.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Abraço de Música


Se a solidão está demais, ligas o som,
abras o coração para a música entrar
Deixas o volume mais alto,
para não ouvires teus gritos internos
Deixas cada pausa, cada acorde,
cada timbre levar-te pela mão
O abraço começa sempre leve e sutil,
mas quando vês, 
já estás atado à música, tão forte,
que a dor começa a escorrer pelos olhos
Um abraço de música às vezes é tudo o que precisas
para não te lembrares que a solidão está demais.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Alívio Imediato


Dar caminho
Coração
Chão para pisar
Queres segurança, tens o coração desconfiado
Vieste da dor
Decepção
Frustração
Caminho imperfeito
Vidas cruzadas, atropeladas
O tempo
O fim
O tempo
A ferida cicatrizada
Por dentro sangra
Os olhos brilham, por dentro sonham
Negas o futuro, mas ele chegou
Quero dar-te caminho, coração, chão para pisar
Segurança, curativos, paz
Por onde pensas que vais, depois do encontro de nossas almas?
Sabes bem que a lugar nenhum,
pois desde aquele toque selamo-nos um ao outro
Como tatuagem estou em tua pele
Como luz na escuridão, farol na noite, alívio imediato do passado
Que não te demores
Que não dês ouvido ao medo
Que não te sintas acorrentado à culpa
E que chegues para mim livre, por puro querer, para inteiro se dar.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Nexo Impossível


Noite quente lá fora 
Nevasca no meu coração 
Não escondo o sorriso 
Nem o brilho dos meus olhos 
No entanto, no seio da vida, 
nunca morrem as minhas vontades 
Natureza teatral 
Nexo impossível 
Ninguém alcança
Ninguém percebe 
Neve que se amontoa em minha alma 
Noite quente que congela o meu espírito 
Nossos brindes envenenados 
Nossas vidas às metades 
Nunca estarei completa 
nesse mundo de corações contentados com quase nada 
Nasci mesmo com a frequência errada.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Alma de Pluma


Minhas raízes flutuam
Se tentar me prender, eu sumo
Minha vida não tem porta:
a arranquei com os próprios dentes
Nela, fica quem quer
_ou quem aguenta o peso da minha alma de pluma
Andar de puritana 
Alma de cigana
Essência selvagem
Não ando em bando, nem em par
Nasci longe, moro aqui, tenho a cabeça lá
Minhas raízes flutuam
Se tentar me domar, eu fujo
Bola de ferro, camisa de força, mordaça
Sonífero, chantagem, poção mágica
Não há o que possa me prender
É a porta aberta que me faz querer ficar
Não espere que eu me explique
Não me exija sempre meiga
Vez ou outra minha fera interior aflora
Me retiro _sem porquê_ à minha caverna silenciosa
Então eu grito, me arranho inteira
Reflito, me refaço, renasço
Não preciso sorrir
Tampouco exibir gestos de amor
E por falar em amor,
sim, eu o posso sentir
No entanto, não há quem o aceite
Pois o que esperam do amor eu nunca serei capaz de dar:
Amor a portas fechadas, sempre desconfiado
Amor sem a luz da Lua entrando pelas janelas, sempre sufocado
Amor feito pacto de morte,
levado ao precipício a cada silêncio incompreendido
Amor tortura
Amor cobrança
Amor boleto
Amor que anula
Amor prisão
Desconheço
Estranho
Rejeito
Não sirvo
Porque meu amor é preso à liberdade
e, ser livre nesse mundo, toda boca diz que quer,
mas nenhum coração suporta ser.