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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tempero Fatal


Eu queria ver o que acontece lá fora
quando me tranco aqui dentro e fecho meus olhos
Será que te conheces o bastante?
Sabes qual é o gosto do teu próprio sangue, da tua própria vida?
E se parássemos de fingir agora?
E se abraçasses a verdade ao invés de fugir?
Eu bem conheço teus gostos todos: sangue, vida, suor, saliva
e sei exatamente o que acontece lá fora 
quando me tranco aqui dentro e fecho meus olhos
De olhos fechados chego mais rápido ao teu coração _e ao paraíso
Há caminhos que conheço por puro instinto
Tens o gosto preferido, do tempero fatal
Teu silêncio me conforta e nada teu me agride
Nada exijo, nada reivindico se posso adormecer saciada em teus braços
e me iluminar com o brilho dos teus olhos famintos
Sei que te farto para a vida toda
Não sintas culpa por viver enquanto outros estão mortos em vida
Não contenhas a felicidade enquanto outros ainda choram: tudo há de passar
Se meu sorriso te encoraja, se meus sonhos te animam,
prove do teu próprio sonho para em mim acreditar
Hás de encontrar minha verdade dentro de ti mesmo
Pois te conheço muito mais que supões
e te quero muito mais que deixo transparecer
Sim, eu sei o que acontece aí fora
quando me tranco aqui dentro e fecho meus olhos
Sei dos delírios, da saudade, das vontades e fomes que sentes
Sei que o sono demora, que as horas se arrastam, que a paz se nega
Eu sei
Então feche teus olhos e se atire no precipício do meu coração,
banquete preparado para tua vida insaciável
Permita-te correr o risco da queda, 
chega de fingir que essa calmaria te sustenta
sei que doses homeopáticas não são teu forte
Sei que teu nome é coragem
Abraces o que viveu dizendo que almejas
Feches teus olhos para que nossos corações se alcancem de vez,
para que se devorem e se fartem em plenitude 
naquilo que buscaram por toda a vida:
o tempero fatal do fogo que nos mantém vivos e amados.

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