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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Tudo na mesma Avenida


Todo coração é um pouco do passado, eu sei disso. Sempre soube. Mas sempre dói um pouco quando penso que teus olhos já brilharam na direção de outros. Que bobagem, os meus também! 

Toda paz é um pouco de agonia, aprendi isso. Nem sempre soube. Já confundi tédio com paz, mas aprendi a diferença entre eles, e hoje sei que a verdadeira paz tem um fio de agonia, uma tênue incerteza que nos mantém vivos e querendo ao outro, sem garantias.

Toda liberdade é um pouco de abandono e de companhia. Também não percebia isso. O preço da liberdade é o corte das raízes, é colocar-se disposto a cair na estrada sempre que der na telha, deixando para trás o que quer que seja, mesmo que isso vá dentro da gente, num esboço de sorriso ou numa lágrima teimosa que se joga face abaixo. É coragem de deixar para trás ou de largar tudo e ir junto.

Todo amor é um perigo, isso eu nasci sabendo. É um brilho vertiginoso, estrada tortuosa que fascina os destemidos. Agonia, liberdade, teimosia, sorriso e lágrima, tudo na mesma avenida. Todo amor é um perigo. Sem coração e sem anseio por liberdade não se ama, se entedia. Todo amor dá brilho nos olhos, fascina. Faz sorrir e de vez em quando chorar, mas aconchega também. Todo amor precisa de liberdade e de paz com fio de agonia porque amor de verdade é conquista diária, não tem garantia. 


2 comentários:

Djane Assunção disse...

Sempre que falam de liberdade e amor lembro-me de uma música dos Engenheiros do Hawaii que diz: "pensei que era liberdade, mas na verdade, era só solidão". Belo texto Luh, me rendeu uma boa reflexão.

Ludmila Clio disse...

Acho o máximo quando te faço lembrar de algo dos Engenheiros, afinal o Gessinger é um gênio!! Obrigadão, querido!! É sempre maravilhoso "ouvir" tuas impressões!! Beijão!! ^^