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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Surpreendentemente


Se é para falar de imprevisto,
de bagunça, de caos, eu falo
A vida aperta sem dó,
não pergunta onde é o limite
No fundo ela sabe
porque surpreendentemente a gente aguenta
Já não fujo do caos:
se me isolo,
é para me ver sem máscara, essencial,
fora do alcance do veneno social
Se eu bebo,
é para me esvaziar
de todo entulho do passado,
que já não cabe no meu coração, em obra
Se eu choro,
[já] não é por fraqueza,
é minha maneira de chegar ao zero
lavando a minha alma exausta
de projetos vencidos
Sim,
surpreendentemente eu tenho aguentado
Disfarçando
Sorrindo
Cantarolando
Resistindo
O que vai permanecer sem fim até o fim
nunca é dado de bandeja
Custa paredes quebradas,
explosões, faxinas e recomeços
Dói
mas já não preciso mais de anestesia
Já nem tranco a porta todo dia
e surpreendentemente
eu tenho me preparado.

3 comentários:

Our Brave New Blog disse...

"No fundo ela sabe
porque surpreendentemente a gente aguenta"
Simmm, é difícil de perceber que a realidade é essa às vezes, mas no fundo nós sabemos, vai passar. Dá pra aguentar, dá pra seguir. Texto belíssimo, beijos!!

ourbravenewblog.weebly.com

Zanella disse...

Lindas palavras...Eu escrevia mais poesias e filosofias antigamente, hoje estou meio devagar. A sua me fez refletir sobre a vida, de forma romântica. Lembro que quando eu escrevia, era muito fã (e automaticamente tentava fazer no mesmo padrão)da segunda geração do Romantismo brasileiro, o "mal do século" (sim, sou fã do grande Álvares de Azevedo e Lord Byron...).

Tanise Silveira disse...

Belíssimas palavras como sempre!
A gente é sempre assim né? Só nós mesmos sabemos das nossas lutas, angústias e medos e mesmo com tudo isso, sabemos que somos fortes o suficiente para seguir em frente, de cabeça erguida, prontos para qualquer coisa que virá ♥