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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Estranha Intimidade


“Seu colo, talvez, seja o último que eu reconheceria.
Mesmo à luz do dia, eu não o saberia.
Da cumplicidade que nunca tivemos
é que sinto mais saudade.
A sua voz não me é tão familiar.
O menor gesto de carinho me constrange.
Não conheço o caminho que leva ao seu coração.
Eu não sei cantar a música da sua alma.
Acho que nunca soube te amar.
O que eu te ofereço, você não aceita;
talvez porque não compreenda.
Somos um projeto de plenitude.
Entretanto, nem todos os projetos prosperam;
alguns tornam-se irrealizáveis.
Papel queimado.
Vela derretida.
Fim da linha.
Resta somente um mosaico lancinante de remorso,
saudade, vontade, culpa.
Tenho ódio da minha infantilidade,
que me impediu de ser uma filha mais próxima.”




(Texto vencedor do XVI Concurso Nacional de Contos e Poesias da FAFIMAN - Faculdade de Filosofia de Mandaguari, PR, em 2004)

6 comentários:

Lego disse...

Muito bom! Bem triste, mas ótimo.

Elisa disse...

Lu, nem sempre fazemos o que desejamos... nem sempre recebemos tb! Mas sempre é tempo de recomeçar e consertar talvez "erros" do passado.
Onde existe amor... tem jeito!

VaneideDelmiro disse...

Lindo texto!

garota do copo d´água disse...

eu adorei esse
é triste simmas eu gosto de coisas tristes...

Paixão, M. disse...

Eu li esse texto na Casa da Memória! Foi aí que eu soube que você escrevia.. Tão melancolicamente lindo... Fiquei impressionada quando li. Você é ótima, Lud!

Saudade!
bjo!

Aluizio disse...

Muito forte!!! Merecedor do prêmio, com ctz...
Parabéns