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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

"Tudo bem" o escambau



Há uma modinha [super bem intencionada] que propaga que "se você não cumprir todas as tarefas do dia, tudo bem", que "se você não estiver a fim de sorrir hoje, tudo bem", que "se você não for produtivo enquanto todo mundo prospera, tudo bem", que "se hoje você não levantou da cama, tudo bem", que "se você não se sentiu feliz e animado e precisou ficar mais na sua, tudo bem"... e por aí vai esse monte de "se ... tudo bem".

Penso que a gente se perdoar de tudo isso é sim, maravilhoso. Estaria mesmo "tudo bem" se as pessoas à nossa volta absolvessem essa humanidade. Já reparou que estão sempre à espera de um sorriso, de uma alma esfuziante, dessas que chegam dando "bom dia" para o Sol?

Exigem de nós uma humanidade plastificada. É mister sermos cordiais e animados vin-te-e-qua-tro-ho-ras-por-di-a. 

Experimenta chegar "de bode" ao trabalho. Experimenta diminuir o tom.

Experimenta reduzir a marcha, voltar cinco casas. 

Experimenta "ser inconstante", permitir seus altos e baixos sempre que eles predominarem em teu coração.

Experimenta desanimar, entristecer, fechar a cara para não levar problemas pessoais para os outros.

Experimenta ficar na sua, fazer seu "dia de silêncio".

Experimenta expor cicatrizes.

Experimenta ser humano. E veja se sobrará alguma humanidade perto de você.

É assim que selecionamos quem realmente importa.


[E, talvez, não passe ninguém.]