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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Acredite na Lei do Retorno!


Então você se decepcionou. Está triste, seu mundo caiu, como cantou Maísa. Acontece. Acontece todo dia. Ei, pode enterrar a cara no travesseiro e chorar. Por um dia você pode morrer de chorar, até por duas semanas ou um mês. Coma dois quilos de chocolate, escute Nirvana, pense em sumir. Faz parte do luto. Só não banque a vida loka, postando fotos nas baladas, na academia, no fast food com os best friends, não!

Se tua falsa alegria tem gosto de vingança, teu paladar está precisando de apuração. Alegria não cabe em entrelinhas, tampouco se sujeita a indiretas. Alegria forçada é feito silicone, todo mundo vê que não é natural.

Não se envergonhe por sofrer, mesmo que seja por alguém que não mereça uma fisgada da tua dor. A lei do retorno é infalível, meu bem. Passe o tempo que passar, um dia, você terá superado toda a decepção e será mais forte. Ah, e com toda, toda certeza, feliz. Naturalmente feliz. E não há post, selfie, indireta ou argumento mais persuasivo que ter a felicidade de ser mais forte hoje por conta de uma dor do passado. 

Se é tempo de sofrer, permita-se sofrer.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Com o amor não se brinca




Ela estava triste. Gostava dele, mas ele tinha namorada. Mesmo assim ele a procurava, gostava da companhia dela. Ela era inteligente, temperada, sincera. Ele se sentia vivo ao lado dela, mas não era capaz de largar sua namorada, insossa, sonhadora que, ingenuamente, o amava sozinha.

Mas como disse, sua amante era inteligente e pessoas inteligentes sabem o que tem que ser feito, doa o tanto que doer. Imersa em sua sinceridade, ela lhe rogou uma praga:

- Um dia você vai encontrar alguém que vai te sacudir tão forte, que você não poderá respirar sem ela.

Ele, com um sorriso sacana, lhe respondeu:

- Mas eu já te encontrei, amor!

Ela teve certeza de que ele ainda não passava de um menino inexperiente. Decidida a não mais o encontrar, lhe disse:

- Não se brinca com o amor, Felipe. Um dia ele há de engolir você.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Eu prefiro ser essa poesia ambulante



E então, como falar de uma cidade onde nunca se esteve? Como descrever o sabor de uma comida, as propriedades de um vinho que jamais fora provado? Como saber das dores do parto sem jamais ter parido? Assim compreendo a poesia. Escrever poesia não é meramente o ato de escrever. Escrever qualquer pessoa alfabetizada o faz.

Poesia nada mais é que uma declaração de enfermidade, um atestado de loucura, uma cicatriz. 

Poesia é insanidade consciente. Poesia é um ato de desespero, de alguém que já não aguenta mais sentir aquela pressão interna _e infernal_ de palavras vivas, dos sentimentos endemoniados, borbulhando dentro de si.

Poesia é um vômito sentimental, um grito desesperado que, geralmente se faz em silêncio, madrugadas adentro. É preciso ter um coração verdadeiramente vivo, uma alma que se espreme e se revira dentro da própria pele, e uma bruta sensibilidade para fazer poesia.

Em verdade, acredito que todo poeta é uma poesia viva. Cada vez em que ele escreve, mutila um pedaço de sua alma e o expõe ali, em palavras. Sim, poesias são pedaços do poeta. Quem lê poesia, lê uma declaração de loucura, já que é preciso ter febre na alma, delírios insuportáveis para escrevê-las e um quê de insensatez. E é por expurgar suas dores e declarar suas sandices que os poetas são livres. A loucura é libertadora. As pessoas ditas comuns não dão ouvidos aos loucos, elas são doentes demais para isso. Os “sãos” passam pela vida. Os poetas a vivem de verdade, em dor, loucura e desespero. A medida da paz é o tormento, é preciso um pouco de tormento para viver em paz.

Em um mundo de disfarces, dissimulações e mentiras, só mesmo um louco para expor em vitrine a própria alma. Conviver com esses seres estranhos e esquisitos nem sempre é reconhecido como uma bênção, mas quem se inclina a ouvi-los, ainda que uma vez apenas, não permanece do mesmo pequeno tamanho. A magnitude da vida reside em seus pequeninos detalhes. A poesia é uma lente.

Talvez a poesia exista mesmo só para isso, para legitimar a vida. 

A poesia é uma doença incurável. Às vezes isso é uma bênção. Às vezes, uma maldição. Eis o abismo onde se equilibram esses pobres-diabos, portadores da maior riqueza da existência humana.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Tudo se Transforma



Sou recicladora.
Reciclo dores, medos, tristezas, desilusões.
Não há matérias-primas mais genuínas que estas.
As transformo em pensamentos, poesias.

Eu causo dolorimento nas dermes,
Afago as almas cansadas,
Reviro intimidades,
Remexo sentimentos escondidos...
Não há dor que não me sirva,
Não há tristeza que não se transforme.

Dor guardada é lixo. Adoece, enfeia.
Mesmo assim, há quem as abrace e se envenene
Contudo eu prefiro poetizá-las.
Meu ofício é a reciclagem,
é transformar a dor em liberdade.