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sexta-feira, 27 de março de 2015

Bela Adormecida


Chegou do trabalho exausta. Da vida.
Foi direto para o chuveiro, como quem está com muita pressa. E estava.
Queria desvencilhar-se o mais rápido possível dos olhos implacáveis da vida.
Ainda eram pouco mais de cinco horas da tarde.
Bela saiu do banho, sua pele estava fresca.
Seu coração, exaurido.
A vida a esperava, de pé, na porta.
As duas se olharam nos olhos.
A vida mantinha uma expressão blasé, quase cínica.
Bela, por sua vez, tinha os olhos carregados de exaustão.
Ainda sustentando o olhar com toda a força do seu corpo, disse firmemente à vida:

- Pode ficar por aqui mesmo, na sala. Descanse sua mediocridade, eu vou dormir.

- Dormir? A essa hora?

Bela respondeu à vida com um olhar frio e censurador.
Entrou em seu quarto, fechou a porta atrás de si.
Deitou-se.
Cobriu a cabeça, numa tentativa inconsciente de esconder-se da melancolia.
Fechou os olhos.
Desejou não acordar nos próximos oitenta dias.
Na sala, a vida espreguiçou-se no sofá, sua expressão cruel logo se desfez.
No quarto, entorpecida pelo cansaço de ser triste, antes de cair no sono profundo, Bela ouviu risadas que vinham da sala.
Sim, longe dela, a vida era feliz.

2 comentários:

Leca Nunes disse...

Uma tristeza tão cheia de vácuo, cheia de esperança...cheia de vida...
vida triste, vácuo escuro...esperança vazia...
Porque?
A vida corre lá fora, abre os olhos, ela não para a espera que a tresteza se vá. Beijo beijo

Ludmila Clio disse...

Nem eu posso esperar que ela venha. A vida escolhe para quem quer sorrir. Não adianta forçar. Simples assim.