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domingo, 9 de agosto de 2015

Comemorar o Dia dos Pais não é pra Qualquer Um


Todo Dia dos Pais é a mesma coisa. Eu recebo felicitações pela data. Dizem que faço parte de uma categoria chamada “pãe”, a mãe que também é pai. Não tenho estatísticas para apresentar, mas arrisco a dizer que mais de 90% das pães queriam ser apenas mães e não planejaram agregar a função de pai para si.

Hoje muitas “pães” estão com o coração partido porque viram seus filhotes eufóricos para entregar para seus pais a cartinha feita na escola, e eles estão passando o dia fora. Tão pequenos e inocentes, eles ainda não podem compreender que o mesmo pai que lhes beija o rosto, lhes nega um agasalho ou um remédio porque excede o valor da pensão.

Fico lisonjeada que reconheçam minha batalha, mas vou lhes contar o pouco do que só eu já vi, sendo “pãe”.

Já vi minha filha, ainda mui pequena, esperar o dia inteiro pela visita de seu pai que, simplesmente desligou o celular e não apareceu.

Já vi seu pai suborná-la com doces, chicletes e até com a bicicleta que eu não poderia dar a ela.

Já vi minha filha se esmerar na escola fazendo o cartão do Dia dos Pais e eu mesma ir à homenagem na escola porque obviamente ele tinha algo mais importante que a própria filha para fazer.

Já fui de táxi com ela para o hospital, já incomodei amigos para nos buscar e passar na farmácia antes de nos levar pra casa.

Já passei noites inteiras em claro vigiando sua respiração e temperatura, sem ter com quem dividir a angústia e o cansaço.

Já comprei brigas com ela, impondo limites, sendo eu mesma a primeira e última instâncias da casa.

Já vi seu pai bloqueando-a do próprio Facebook e telefonando anos depois, falando em saudade.

Já desisti de brigar pela sua pensão porque entendo que isso não deveria ser compulsório, mas um ato mínimo de responsabilidade paterna, que fluísse do coração.

Já vi o rostinho dela muitíssimo frustrado por não poder ter tantas coisas que não posso lhe dar.

Já ouvi seu choro dolorido e abafado no travesseiro inúmeras vezes.
E tantas outras coisas...

Então quando você vir uma mulher que cria sozinha seus filhos, isso é um pouco do que está por trás dela: um amontoado de nãos, de mágoas, de frustrações, de cansaço e toda responsabilidade do mundo, pesando toneladas sobre suas costas. Um deslize e todo o mundo de acusações recairá sobre ela. Ser “pãe” é uma prova árdua de resistência, de competência, de sobrevivência. É dormir diariamente pensando no quanto a vida é dura quando não se pode contar com ninguém.

Hoje é Dia dos Pais e pouquíssimos homens podem verdadeiramente se orgulhar disso. 

Sigamos na luta!

Um comentário:

Liv disse...

Amei o texto, acho triste o fato de que apesar de fazer tudo sozinha, mãe solteira ainda seja discriminada.