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quarta-feira, 22 de março de 2017

22 de Março - Meu Dia


Tom Jobim que me perdoe, mas prefiro meu março sem as águas. Sou solar. É o Dia Mundial da Água, mas eu não quero água nesse dia que também é meu. Pura contradição, eu sei. Amo, mas quero espaço. Deixo minha alma livre para se prender ao que quiser. Que chova, mas não hoje. Hoje quero me entrelaçar nos raios de Sol para tocar naquela pele que tanto amo.

Nasci às 06:15 da manhã. Com certeza passei a noite escrevendo, tendo as sinapses mais poéticas que um útero pode abrigar. E depois dos rascunhos jogados fora e dos poemas passados a limpo, resolvi nascer para, enfim, poder dormir. 

Foi uma manhã quente, como é meu coração, do jeitinho que preciso que sejam comigo.

Minha mãe não tinha passagem, eu também não forcei. Há passagens que não se forçam: eis meu primeiro teste de paciência. Tiveram que cortar camadas de pele e de carne para que eu fosse encontrada. Dolorimentos naturais da vida. Deixei marcas. A felicidade tem seu preço, e lá foi mamãe pagá-lo para finalmente me dar à luz _sinceramente espero que tenha valido o investimento.

Acho também que não cheguei naturalmente ao mundo junto com as contrações porque não teria sentido eu nascer noutra data que não fosse 22, o número da loucura, da excentricidade, da renovação e da angústia ante a rotina. Por isso esperei amanhecer.

É, tudo faz sentido.

Era outono, manhã do dia 22. Fui recebida pela chuva e pelo astro-rei, dia de contradição no céu _será que isso explica meu coração? Talvez.

Nasci poeta, notívaga, canhota. Nasci sabendo que não posso invadir espaços. Por isso os conquisto, ainda que demore. Eu espero.

Nasci estranha, observadora, escritora, habitante de cavernas e fascinada pela liberdade. Ariana duas vezes, marciana, pronta para a luta. 

Às vezes me fecho e converso somente com a Lua porque eu sei que ela não existe sem o Sol. No meu céu cheio de contradição, somos todos um só poema. E mesmo quando caem as águas de março, nem assim se apaga o eclipse no meu coração.

2 comentários:

Ciana Andrade disse...

Que lindo! Tom jobim nos perdoa, afinal um poeta entende outro, mesmo que esteja em outro plano. bjs
Simplesmente Ciana

Ludmila Clio disse...

Ciana, um beijão! Obrigada pelas palavras!