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sábado, 16 de março de 2013

Triângulo




Agora me diz
Para onde eu devo ir
Aonde é que eu vou buscar ao menos um pouco de graça
Para essa vida tão desgraçada
Se em cada palmo do chão do centro dessa cidade
Tem um pouco da gente
E por cada esquina em que se anda
Ainda se podem ouvir os ecos das nossas palavras de amor
Agora me diz
O que eu vou fazer com toda essa bagunça
Que ficou espalhada pelo chão da minha vida
Quem é que vai se interessar pelas minhas entrelinhas
Quem me compreenderá tão perfeitamente, em silêncio
Quem vai me esperar pelas manhãs, junto ao violão?
Agora me diz
O que eu faço com toda essa juventude estampada na minha cara
Me diz a quem eu devo doar esse estoque de sonhos
que está começando a estragar dentro de mim
Como é que eu calo as nossas músicas no meu coração
E como eu posso gostar um pouquinho da vida sem tê-lo comigo,
Se todos os meus amanhãs foram dedicados a ti, me diz
Me explica, por que desistiu?
Por que jogou nossa caixinha de música aos cães?
Por que preferiu dar respostas sociais?
Que dor, que dor ler teu amor por mim em teus olhos,
Sabê-lo intacto. O mesmo. Indelével.
Mas foste um grande covarde.

E ela sempre soube de nós dois.

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