
Dia desses tive o sono da tarde abortado pela campainha... putz! Quem se atreve a me incomodar nessa hora tão sagrada? Depois de tantas tentativas e de toquinhos no celular, vi-me obrigada a atender...
Era uma pessoinha tão especial, que eu não me perdoaria em ter optado pelo meu maravilhoso sono... e por questões éticas, não direi de quem se trata...
:)
Entretanto, passamos algumas horas juntas e, ao contrário do que muita gente pensa, não somos puramente duas palhaças que vivem às gargalhadas, fazendo piadas de qualquer coisa ou relembrando historinhas de nosso passado pueril... o fato é que naquela tarde (nada vazia!) tivemos uma conversa tão visceral que estou meio enjoada até agora...
A questão foi: "do que eu gosto? Em quê eu sou especialista ou, em quem?"
Estaríamos nós antenadas ao novo?
Seríamos nós grandes conhecedoras do que é "impossível não conhecer"??
A princípio, chegamos a uma triste constatação... não! Não somos preconceituosas com o novo, mas um tanto resistentes. Não temos paciência para descobrir um novo Cd, um novo autor, um novo filme (por mais tradicionais que sejam). Isso até sentirmos um profundo interesse que vem ou do nada, ou de alguém especial.
Daí quase choramos. Sentimo-nos rasas por um breve instante.
Altos devaneios... análises profundas... papo de terapia...
Bem, confesso que não gosto mais tanto assim de coisas que eu gostava há alguns anos. Confesso também que descobri coisas novas... somos fases... um dia uma música nos revela o mundo; noutro... já não estamos tão interessados nesse mundo assim...
Rimos. Descobrimos que não paramos no tempo. Não, não somos rasas... não sabemos todas as músicas de um determinado compositor... não lemos todos os livros de um único autor... somos mosaicos... temos fragmentos de cada um que fez parte de cada fase de nossa história... e não há nada de raso nisso...
Torço o nariz mesmo para certas novidades... volta e meia me vejo deslumbrada por uma arte que já me foi apresentada antes, mas nem prestei atenção. Simplesmente não era o momento. Talvez resida nisso a beleza indizível da arte: seu poder de ser antiga, mas sempre fresca...
Depois dessa tarde de sono abortado... não me sinto mal em dizer que não conheço coisas que pessoas ao meu redor acham vitais... tipo: "Massa Janis Joplin!! Você gosta, né?!" E eu simplesmente respondo: "Não conheço nada dela!"
... a cara das pessoas... coisa indescritível... "Como assim você não conhece Janis Joplin? Em quê planeta você vive, menina?"
Aiai... a partir de hoje, tenho a resposta: "No meu planeta! E aqui, as coisas acontecem quando têm que acontecer... não adianta marcar um encontro com essa tal de Janis, porque eu (ainda) não vou!!"
E no mais... sou especialista em muita coisa sim... em um pouco de tudo... em nada de muita coisa... mas em nenhuma sou completamente especialista. Sou livre. E talvez amanhã, em uma esquina desse meu mundinho... quem sabe, eu não tope com a Janis???