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quarta-feira, 29 de abril de 2020

A Arte é uma dor que Brilha



Clarice foi chamada de "hermética". Era a arrogante antissocial. Conviver era algo mui difícil para ela. Van Gogh decepou a própria orelha para fazer um autorretrato. Florbela se matou aos 36 anos depois de 03 casamentos conturbados. Pessoa morreu de cirrose alcoólica [Shakespeare, em teoria, também]. Virginia Woolf se matou afogada porque não suportava mais os episódios de seu transtorno bipolar que afetavam seu casamento. [...] A lista é infinita. O legado artístico deles, mais que infinito.

Eventualmente me pego imaginando como era difícil e conturbada a convivência com cada um deles e, em contrapartida, como era difícil para cada um deles a incompreensão parental, familiar e social. Pessoas atormentadas, de poucos ou nenhum amigos, de explosões de ideias, oscilações entre o magnetismo e o silêncio sepulcral. Sempre intensas. Imprevisíveis. Efusivas. Melancólicas. Às vezes tudo isso num mesmo dia. 

Para todo artista chega o dia em que a ficha finalmente cai: não adianta tentar explicar o que nem ele próprio compreende. Ser "normal" é um desejo irrealizável. Cabalmente a culpa evapora. Simplesmente não há culpados. Enfim é admitido que existe uma discrepância estratosférica de intensidade e percepções entre as pessoas e, o mais sensato _eu diria até, mais prático_, é parar de tentar justificar tanta "esquisitice". Daí a solidão _inevitável, desejada e enlouquecedora solidão. 

Fato é que "somos todos iguais" desde que não mostremos nossas diferenças. O problema é que elas brilham.